A batalha da Síria e a Construção.....

Índice de Artigos

A batalha da Síria e a Construção de uma Nova Ordem Mundial
A República Árabe da Síria praticamente não sai das manchetes dos jornais. Mesmo não possuindo reservas petrolíferas significativas, esta vem enfrentando um imenso bombardeio midiático, muito mais nocivo do que a oposição. Seu presidente, o jovem médico oftalmologista Dr. Bashar Al Assad, do Partido Socialista Árabe Sírio é chamado de “ditador sanguinário e genocida”. Neste artigo, analisaremos as razões que levam o imperialismo e o sionismo fazerem esse combate, e tentarmos entender por que não só ele não deverá cair, como o reflexo que isso teria nas forças políticas do Oriente Médio e mundial se isso ocorresse.

No último mês de março, completou um ano que levantes estimulados do exterior vêm ocorrendo na República Árabe Síria. O objetivo claro dessas manifestações, apoiadas e armadas pelas potências imperialistas e países árabes do Golfo (CCG) é o de substituir o governo legítimo do Dr. Bashar Al Assad, presidente da Síria, por um governo lacaio do imperialismo, fortalecendo o controle do OM pelo Ocidente. Pretende-se, como diz James Petras, isolar ainda mais o Irã, abrindo-se o caminho para Israel e EUA atacarem o país persa ao mesmo tempo em que se derruba o último regime laico da região e amigo da Rússia e da China. Quando se disse que o caminho mais curto para Teerã passa por Damasco, isso hoje esta cada vez mais claro. O plano é substituir uma República laica por uma ditadura teocrática pró-Ocidente, ou alguma coisa parecida com o modelo capitalista islâmico da Turquia.

A derrubada de Bashar se insere em um novo contexto que vem sendo criado em plano mundial, cujo objetivo claro é barrar os levantes e a revolução árabe, cujos movimentos iniciaram-se em dezembro de 2010. Depois que o imperialismo estadunidense destruiu o Iraque e a Líbia, querem agora destruir e tomar a Síria. Sob o comando da OTAN, o coronel Kadafi foi preso mutilado e morto, assim como deu suporte à prisão, tortura e assassinato de milhares na Líbia, tudo isso com aval das potências ocidentais, em especial EUA, Inglaterra e França.

A mídia à serviço do império Esta não é a primeira vez, nem será a última, que a mídia fala uníssono uma só linguagem, neste caso, da “mudança de regime”. Sob orientação direta dos porta-vozes da Casa Branca, correspondentes em diversas capitais árabes falam uma linguagem unificada, de acordo com os interesses do imperialismo estadunidense.

Nesse sentido, os bandos aramados que agem na Síria hoje, amplamente documentada pela TV Síria, que sabotam e matam cidadãos pacíficos, colocando bombas em prédios públicos e estradas, gasodutos, são chamados de “rebeldes”. Os correspondentes e jornalistas à serviço do império chamam de “manifestantes pacíficos brutalizados por Bashar”, a esses grupos de mercenários financiados por Washington e pelo CCG.

Esses mercenários armados não possuem nenhuma credibilidade junto à população. Massacres perpetrados por eles em bairros das cidades de Homs, Idlib, Alepo, para aterrorizar a população pacífica, é mostrado pela mídia ocidental como sendo assassinados pelo exército sírio. E tudo isso passa como se fosse uma verdade.

Todos os Meios de Comunicação de Massa (MCMs) ocidentais demonizam a quem Washington aponta o dedo, como diz Craig Roberts. Para ele, os fatos não contam, mas apenas os poderosos interesses materiais desses grupos. É uma situação como se os senhores proprietários das corporações de mídia, pagassem seus empregados simplesmente para mentir.

O que fica claro, é que se Washington de fato desejasse uma democracia na Síria, teria apoiado a reforma constitucional realizada em fevereiro e apoiada por 90% da população. O que os EUA querem não é democracia alguma, mas sim um governo fantoche, títere dos americanos. A tríade Washington, Tel Aviv e CCG não aceitam Assad exatamente por isso, pela sua independência e seu posicionamento antiimperialista.

No antigo império romano, o Mediterrâneo era chamado de mare nostrum – nosso mar – e é isso que os americanos querem. Mas, no quadro atual, isso é praticamente impossível, na medida em que a marinha russa fincou uma base no estratégico porto de Tartus onde até o Irã tem uma flotilha ancorada.