Impressões sobre a Viagem à Palestina

Estive na Palestina ocupada por duas vezes na minha vida. A primeira delas, representando a CTB, no Congresso da União Geral dos Trabalhadores Palestinos, ocorrido em março de 2012. Lá fiquei pouco tempo. Cinco dias apenas, ainda que tivesse gasto um dia para ir e outro para voltar, via Istambul na Turquia.

No entanto, a segunda viagem ocorreu em abril passado. Gostaria de compartilhar com meus e minhas colegas professoras parte dessa que foi uma das mais ricas experiências que tive em minha vida de militante político, sindical e internacionalistas.

Desde 2011, eu integro o Comitê de Apoio à Criação do Estado da Palestina. Ele é composto por cerca de 80 entidades, das quais 30 de caráter nacional. Ali estão entidades representativa de todos os setores e segmentos da sociedade brasileira, como todas as seis maiores centrais sindicais, jovens, estudantes (UNE e UBES), todas as entidades nacionais de mulheres, de negros, de bairros etc. Ele é amplo, plural, democrático.

Desde 2012 esse Comitê, que chamamos de Comitê pelo Estado da Palestino e o abreviamos como CEP decidiu realizar Missões de Solidariedade ao Povo Palestino. Acho que a maioria de nossos colegas sabem que a Palestina histórica é uma das regiões mais antigas habitadas no mundo. Para termos uma ideia, a cidade bíblica de Jericó tem 10 mil anos e é palestina.

Ali é uma terra que é considerada sagrada para pelo menos 3,5 bilhões de pessoas na terras, ou seja, os seguidores das religiões judaica, cristã e islâmica. E os conflitos ali são proporcionais à sua importância histórica e religiosa.

Nunca aceitei que o conflito ali fosse religioso. Sempre foi político, de disputa de terras, por hegemonia de projetos existentes no mundo hoje. Para simplificarmos – mas não é fácil simplificar – temos de um lado Israel, apoiado pelos EUA, União Europeia e o movimento sionista internacional e do outro, o povo palestino, apoiados pelos lutadores dos povos de toda a Terra que almejam um mundo melhor e que vivem sob ocupação desde 15 de maio de 1948. É a mais longa ocupação colonial que se tem notícia no mundo hoje.

Mas, queria me ater mais aos aspectos da importância da viagem e das Missões de Solidariedade. Se não 1ª Missão, ocorrida entre 10 e 20 de junho de 2012, com apenas seis pessoas, esta 2ª Missão, ocorreu entre os dias 17 e 28 de abril de 2013, contou com a presença de 20 pessoas. Lá tinham companheiros da CUT, CTB, Força sindical PT, PCdoB, PDT, várias organizações sociais. Quero destacar a presença nas duas missões de colegas nossos professores e auxiliares de ensino do setor privado da educação nacional, através de nossa entidades nacional a CONTEE, que além de ser membro permanente do CEP, indica pessoas para as Missões.

Nos sete dias e noites que passamos na Palestinas pudemos ver de perto aquilo que vemos pela imprensa e pelas televisões quase todos os dias. Os massacres, as perseguições que esse sofrido povo sofre todos os dias. Acompanhamos um protesto contra o Muro da Vergonha – condenado pelo Tribunal Penal Internacional e que tem mais de 700 km e corta quase toda a Palestina – e fomos brutalmente atacados pelo exército de Israel. Recebemos balas de borracha, gás pimenta, bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral. O movimento de resistência pacífica dos palestinos faz essas demonstrações todas as sextas-feiras e nós os acompanhamos.

Visitamos cidades históricas e milenares como Jericó, Betúnia – onde almoçamos com a comunidade brasileira que lá vive –, Jerusalém, Belém, Hebron. Vistamos locais considerados sagrados para os cristãos, como a Igreja da Natividade, a Igreja do Santo Sepulcro onde Jesus teria nascido e sido enterrado. Estivemos na Mesquita de Hebron, onde visitamos os monumentos-túmulos de Abrão, Izaac, Raquel entre outros. Estivemos com autoridades governamentais, parlamentares, sindicalistas.

Visitamos um acampamento de refugiados mantidos pela UNRWA, órgão para refugiados da ONU, que mantém escolas também. Vistamos ONGs, centro de defesa civil, entidades de mulheres, jovens. Estivemos com praticamente todos os partidos que compõem a estrutura da OLP e com o seu secretário-geral.

Uma visita que ficará na história. Quero aproveitar a oportunidade para convidar professores do Sinpro/Campinas a integrarem nossa 3ª Missão, que ocorrerá em 2014, a partir de 27 de março. Não temos os detalhes, roteiro, extensão, mas deve ser nos mesmos moldes, passando na ida e volta em Dubai, nos Emirados Árabes (cortesia da empresa aérea Emirates), passaremos pela Jordânia e ficaremos pelo menos seis noites na Palestina. Estamos tentando ver se o pacote completo cai para um custo estimado de três mil dólares, no máximo.

Como disse, uma viagem inesquecível.

* Sociólogo, Professor, Escritor e Arabista. Colunista da Revista Sociologia da Editora Escala e colaborador dos portais da Fundação Maurício Grabois e Vermelho. Foi professor de Sociologia e Ciência Política da UNIMEP entre 1986 e 2006. Presidiu o Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo de 2007 a 2010. Recebe mensagens pelo correio eletrônico Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..