Revoluções no Oriente Médio

A questão central em todo o Oriente Médio (OM) não é e nunca foi religiosa. Os conflitos são essencialmente políticos. São disputas territoriais, coloniais, por recursos energéticos e hídricos.

Os árabes são uma civilização com milhares de anos de existência. Vivem na Península Arábica e na região da Palestina e Babilônia e seu legado é imenso. Pelo menos desde o ano de 630 da nossa era, os árabes construíram um império, decorrente da força da religião que Mohamed – ou Maomé, como é conhecido no Ocidente – fundou, que é o Islã.

Os árabes em todo o mundo se encontram espalhados por 21 países, mais a Palestina (ocupado por Israel) e a República do Sarauí (ocupado pelo Marrocos). A Liga dos Estados Árabes, fundada em 1945 no Cairo, aceita a Palestina como membro, sendo integrada assim por 22 estados-membros. São oito monarquias absolutistas (ou petromonarquias ou “monarquias americanas” ou apoiadas pelos EUA) e 13 “repúblicas” (de fachada, pois na prática são ditaduras).

As potências vencedoras da 1ª Guerra Mundial em 1918, a Inglaterra e a França, colonizaram praticamente todos os países da região do OM e do Norte da África (conhecido como Maghreb). Interessante observar como as fronteiras entre esses países são retas, como se divididas tivessem sido por riscos feitos com lápis num mapa da região. As “independências”, por assim dizer, iniciaram-se em 1922 (no caso do Egito) e foram concluídas em 1977 (com o Djibuti).

Os árabes somam 347 milhões de pessoas em todo o mundo ou 5,18% da população mundial. A soma de todos os PIBs de seus países chega a US$2,477 trilhões de dólares, ou apenas 4% de todo o PIB mundial. No entanto, com relação às reservas de petróleo, os países árabes detêm 685,11 bilhões de barris ou exatos 50,81% das reservas mundiais (veja quadro Dados Econômicos e Populacionais dos Países Árabes).

Por fim, com relação à produção diária de óleo, esses países produzem todos os dias 22,967 milhões de barris, o que significa 27,26% da produção total no mundo, que é de 84,24 milhões de barris/dia (b/d). Esses dados são aqui apresentados porque o conflito existente no OM guarda uma relação direta com a estratégia de controle dessa fonte de energia (que não é renovável). Sabe-se que não há como o mundo substituir a sua dependência do petróleo e gás natural pelos próximos 30 ou mesmo 50 anos.

Os Estados Unidos consomem todos os dias 19,497 milhões de b/d, mas produzem apenas 7,27 milhões de barris, ou 37,42%. Dessa forma, precisam importar todos os dias 12,22 milhões de barris, que vêm em boa parte de países árabes. Apesar de toda a propaganda neoliberal em todo o mundo em defesa das privatizações, as dez maiores empresas petrolíferas seguem sendo estatais (veja quadro Maiores Empresas Petrolíferas do Mundo – Reservas e Produção).

Os maiores países ocidentais não são produtores de petróleo. Os casos mais marcantes são o do Japão, que precisa todos os dias de 5,57 milhões de b/d, a Alemanha necessita de 2,677 milhões de b/d, a Coreia (do Sul) 2,061 milhões de b/d, a França 2,06 milhões de b/d, a Itália 1,874 milhões e a Espanha com 1,537 milhões de b/d (ver Quadro Países Não Produtores de Petróleo).

Os maiores exportadores de petróleo de petróleo do mundo, com valores em milhões de barris por dia (b/d), pela ordem, são: Arábia Saudita (8,651), seguida da Rússia (6,65), Noruega (2,542), Irã (2,519), Emirados Árabes (2,515), Venezuela (2,203), Kuwait (2,146), Argélia (1,847), Líbia (1,525) e Iraque (com 1,438) (ver Quadro Países Exportadores de Petróleo). Por esses dados, vê-se que os países árabes exportam todos os dias 18,122 milhões de b/d. Se agregarmos o Irã, país persa com linha política antiimperialista, esse número eleva-se para 20,641 milhões de b/d. Daí a estratégia imperialista de controle da região.

As maiores empresas petrolíferas privadas são a ExxonMobil (EUA), a ChevronTexaco (EUA), a Shell (Holanda), British Petroleum (Inglaterra), a Total (França) e a ConnocoPhilips (EUA). Todas elas, juntas, empregam 514 mil trabalhadores e faturam por ano 1,697 trilhões de dólares. No entanto, respondem por apenas 10% de toda a reserva de petróleo do mundo (veja quadro Seis Irmãs das Indústrias de Petróleo).

Por fim, é relevante destacar a questão do Islã. Hoje existem no mundo 1,6 bilhões de muçulmanos praticantes (dos quais 1,4 bilhões são sunitas e apenas 200 milhões são xiitas). Não devemos confundir “muçulmanos” com árabes. Nem todo muçulmano é árabe e nem todo árabe é muçulmano. Aliás, apenas 8% dos árabes não são muçulmanos (27,76 milhões; geralmente cristãos cooptas ou ortodoxos; católicos são residuais). Em termos mundiais, apenas 19,95% dos muçulmanos no mundo todo são árabes (um em cada cinco).

A história recente dos levantes

Certa vez, perguntaram para Chu En Lai, um dos líderes da Revolução Chinesa de 1949, o que ele achava da Revolução Francesa de 1789. Tal pergunta foi feita no início dos anos 1970. A sua resposta, como bom chinês, foi “ainda é cedo para dizer”1. Danton, líder dessa revolução, dizia que “precisamos de audácia, mais audácia e sempre audácia”. É verdade. Ele foi guilhotinado e quem o guilhotinou também morreu dessa forma. São as idas e vindas de uma revolução. Depois disso veio Napoleão (1800), a Restauração (1814), a Revolução de 1848 (que incendiou parte da Europa), a Comuna de Paris (em 1871). Por isso é muito prematuro formar uma opinião mais completa do processo revolucionário em curso no mundo árabe.

Cabe aqui, no entanto, um pequeno histórico do processo. Os levantes populares em curso no OM tiveram seu início, de forma inesperada, com o caso do jovem de 26 anos Mohammed Boazizi, um vendedor de frutas ambulante com formação universitária. Inconformado com o fato da polícia corrupta ter-lhe tomado seu carrinho, que era seu ganha pão, por ele não aceitar pagar propinas, decidiu atear fogo ao seu corpo em frente ao palácio presidencial onde governava, desde 1988, o ditador Zine Abdine Ben Ali. Isso ocorreu em 15 de dezembro de 2010. A partir desse momento, até a queda do regime em 16 de janeiro, transcorreram 32 dias de grandes manifestações. A polícia atacou com fúria a multidão diariamente que, de peito aberto, a enfrentou. O ditador – chamado pela imprensa internacional durante todos esses anos de “presidente” por ser amigo de Washington – fugiu em debelada com sua família e, dizem, com mais de cem malas carregadas de ouro e dólares.

Em todos os 22 países árabes temos a presença de governos longevos. Ou são monarquias absolutistas ou são ditaduras disfarçadas de democracias, onde a cada cinco ou seis anos, fazem-se “eleições” farsescas, fraudulentas para tentar legitimar ditadores amigos dos Estados Unidos. Desta forma, garantem ao império norte-americano a defesa de seus interesses nessa estratégica região, em especial a garantia do fluxo de petróleo para a América, a passagem dos seus navios petroleiros e cargueiros pelo Canal de Suez e pelo Estreito de Ormutz no Golfo.

Há também a questão estratégica da defesa incondicional por parte dos EUA, do Estado sionista de Israel. “No caso da política de Obama para o OM, são cegos guiando um cego e cegos aconselhando um cego no salão oval da Casa Branca” 2, afirmou em seu blog a escritora e jornalista inglesa Helena Cobban, em uma clara alusão a Bill Daley, Ben Rhodes, Tony Blinken, Denis McDorough, John Brennan e Robert Cardillo, assessores e conselheiros de diversas funções de Obama, todos, indistintamente, militantes fanáticos pró-Israel e a serviço do lobby judaico.

Acerta Ury Avnery, um dos maiores escritores e intelectuais israelenses, quando diz “estamos passando por um evento geológico. Um terremoto de vastíssimas dimensões, que está mudando a paisagem no OM. Montanhas viram vales, ilhas emergem do mar e vulcões cobrem a terra de lava” 3.

Como diz o professor da Universidade Americana de Beirute, Ahmad Massouli, Obama comete erros e mais erros na sua política externa para a região. Não consegue sequer barrar os assentamentos judaicos na Cisjordânia (os EUA vetaram em 18 de fevereiro o congelamento no CS/ONU) e vai se antagonizando com mais de 1,6 bilhões de muçulmanos de todo o mundo. Massouli arrisca dizer que vamos presenciar um novo mundo árabe, revolucionário e que não será mais submisso aos interesses norte-americanos. Os EUA só conseguirão criar boas relações com o mundo árabe quando a questão palestina estiver completamente resolvida4.

Sem exceção, os governos árabes pró-americanos têm como características: 1. Sempre combateram o comunismo desde a chamada Guerra Fria; 2. Desde 1979, combateram o Irã de Khomeini; 3. Tudo fazem para liquidar o islã político, a que chamam de “fundamentalista”; 4. Sempre adotaram posições contrárias aos movimentos sociais, em especial contra os sindicatos; 5. Atuaram sempre contra as resistências libanesa e palestina5. Foi nesse caldeirão que a revolução árabe teve início.

Regra geral, as grandes reivindicações, praticamente unânimes em todos os países são as seguintes: 1. Revogação do Estado de Emergência; 2. Libertação de todos os presos políticos; 3. Liberdade de organização partidária; 4. Liberdade sindical e de organização social; 5. Liberdade da imprensa e de expressão; 6. Eleições livres para Presidente e para o Parlamento; 7. Convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte Livre, Democrática e Soberana.

Não está claro se tais avanços serão possíveis, em especial na Tunísia e no Egito, que foram os primeiros países a derrubarem seus governantes. “Para impor mudança tão ampla, o movimento de massas egípcio teria que quebrar a espinha dorsal do regime, que é o seu exército” 6. Não se vê, no momento, condições para que isso ocorra. A tomada da “Bastilha” egípcia não aconteceu. “O espírito do governo de Hosni Mubarak, a essência de seu regime, seus métodos estão longe de acabar” 7.

Um dos maiores sociólogos da atualidade, Immanuel Wallerstein, conclui: “Os EUA, aflitos para ficar ao lado dos vencedores, mas sem saber exatamente quais serão e sem querer perder o apoio dos ditadores e monarcas absolutos de que ainda julgam precisar, fazem do Irã e da Turquia os dois maiores ganhadores com o processo revolucionário que agita os países árabes”. Sendo assim, “é possível que estejamos testemunhando o nascimento de um novo tipo de política revolucionária que não é definido pelos protestos maciços das massas nas ruas, mas pela maneira como os participantes se reuniram” 8.

A questão central em todo o OM não é e nunca foi religiosa. Claro que o componente religioso pode existir, mas os conflitos são essencialmente políticos. São disputas territoriais, coloniais, por recursos energéticos e hídricos. Nesse sentido, Robert Fisk menciona “se são revoltas seculares, porque só se falam das religiões?” 9. Até esse jornalista inglês fica espantado com isso. Não há dúvidas que isso faz parte de uma estratégia midiática para tentar mostrar o pano de fundo dos conflitos no OM como religioso, para enganar as massas e, mais do que isso, indispor bilhões de pessoas contra uma das maiores religiões da terra que é o Islã.

Uma revolução em curso

A concepção de esquerda marxista ensina que o termo “revolução” esta relacionado diretamente com a tomada revolucionária do poder, mudanças profundas na estrutura de direção do estado de um determinado país e, fundamentalmente, de troca da classe social que manda no país. Ou seja, mudanças na superestrutura, na economia, na ideologia, nos costumes etc.

Mas, o que esta ocorrendo mesmo no mundo árabe? Uma “revolta”? Uma “insurreição”? Uma “rebelião”? É fato que tudo isso está acontecendo por lá. Mas, está sim em curso uma revolução nesse mundo. Que caráter terá essa revolução é que no momento não é possível prever. Será essa revolução meramente democrática e patriótica? Será uma revolução mais avançada, de caráter mais popular e progressista? Ou chegará a ser até socialista, alterando profundamente o modelo econômico dos países, que hoje são todos capitalistas de inspiração neoliberal (financeirização do capital)?

Quando Wladimir Ilich Oulianov, mais conhecido como Lênin, líder da Revolução Bolchevique de Outubro de 1917, tratou desse tema, dois anos antes desse histórico acontecimento, ele estabeleceu claramente as condições objetivas para que uma revolução pudesse ocorrer em um determinado país. E isso é uma das formulações do pensamento científico marxista, sobre as leis gerais das sociedades humanas. Essas condições objetivas ocorrem quando “os de cima já não conseguem mais governar como antes e os de baixo já não aceitam mais ser governado como antes”. Isso pode ser lido no texto Bancarrota da II Internacional, escrito entre maio e junho de 1915.

Ele diz que as condições objetivas são decorrentes de questões relacionadas com a materialidade da vida das pessoas. Isso poderia ser desemprego elevado, fome e a miséria, ausências de liberdades, arrocho salarial, repressão política etc. Tudo isso não determina, ainda assim, que as condições subjetivas para que uma revolução aconteça estejam dadas. É preciso que ocorra uma combinação entre as condições objetivas e as subjetivas. Estas últimas guardam uma relação direta com a necessidade de uma liderança política revolucionária – aqui entra a necessidade de um partido de feições revolucionárias, detentor de uma teoria revolucionária que, além de dar uma direção correta para as amplas massas, contribua para elevar o nível de consciência política dessas massas.

Se apenas as condições objetivas fossem suficientes para que uma revolução de caráter mais socialista ocorresse, a Índia, Paquistão, Afeganistão e tantos outros países extremamente pobres já seriam os países mais socialistas do mundo. E não são. Faltam-lhes as condições subjetivas, um partido avançado com uma teoria revolucionária. Dessa forma, não há erro conceitual algum em que se use o termo Revolução Árabe. O seu caráter vai depender das lideranças que a conduzem – pulverizadas por vários países – e os compromissos e tarefas que ela possa vir a assumir.

Portanto, há sim um processo revolucionário em curso, com caráter anticolonial, democrático e progressista geral, mas que ainda tem a sua liderança em disputa. E essa disputa, diga-se de passagem, não é com ninguém menos que a maior potência política, militar e econômica do planeta, que são os Estados Unidos da América. Tal revolução ou revoluções – são vários países em processo avançado de mudanças – nada tem a ver com as que ocorreram no leste europeu, que tinham nome de cores inclusive (Laranja, de Veludo, Rosa e outras bobagens mais).

Box 1

Panorama da Revolução Árabe – Primeiras Observações:

1. Obama perde nesse processo. Seu discurso do Cairo de julho de 2009, estendendo a mão para os muçulmanos, provou-se uma farsa. Não deu passo algum para respeitar os muçulmanos e os árabes em geral. Insiste em classificar partidos políticos como o Hamas e o Hezbolláh como “terroristas” e não são. Vai se antagonizando com mais de 1,6 bilhões de muçulmanos de todo o mundo.

2. Os novos governos árabes não serão tão subservientes com os norte-americanos. O que tanto os Estados Unidos sempre tiveram pavor poderá acontecer, que é a participação, com destaque, da Irmandade Muçulmana nos governos árabes. Os países tendem a se afastar da órbita da OTAN, da União Europeia e mesmo dos Estados Unidos.

3. Israel poderá sair derrotado. Perdeu seu discurso de que o maior inimigo é o Irã, que este precisaria ser derrotado e bombardeado e que seu programa nuclear visa à construção da bomba atômica. Terá que voltar à discussão do Estado Palestino.

4. Um novo Oriente Médio será construído. Deverá crescer a democracia, os partidos terão maiores liberdades, bem como a imprensa. Eleições gerais devem ocorrer em curto prazo no Egito e na Tunísia. O OM nunca mais será o mesmo depois desse imenso tremor político ocorrido.

5. O islã não é a solução. Dificilmente veremos um Egito, uma Tunísia ou qualquer outro país árabe como repúblicas islâmicas. Os países seguirão sendo laicos em toda a região, tal qual o Iraque e a Síria sempre foram.

6. O Irã se fortalece no OM. Por razões diversas, mas em especial por sempre ter apoiado a causa palestina e todos os movimentos revolucionários antiamericanos na região. Ainda pelo fato de que vem enfrentando, quase que sozinho, o império norte-americano na sua defesa pela soberania, independência nacional e pela condução de seu programa nuclear para fins pacíficos.

7. Crescerá o nacionalismo árabe. Fundado por Gamal Abdel Nasser, poderá ganhar papel preponderante. Esse nacionalismo defende a soberania e a independência dos países árabes, respeito aos direitos de seu povo e solidariedade ao povo palestino. A esquerda poderá crescer.

8. Modelo neoliberal em xeque. Difícil que os rumos da revolução árabe substituam o modelo capitalista pelo socialismo. No entanto, encontra-se em xeque o modelo de capitalismo financeiro denominado neoliberal.

9. Mitos e “teorias” que caíram por terra. Pelo menos dois. Que as redes sociais da Internet e os celulares foram os responsáveis pela revolução árabe. Apenas 20% da população egípcia têm acesso à Internet (em outros países, ainda menos) e apenas um terço possui celulares. Que não houve líderes e o processo foi espontâneo. Lideranças ficarem ocultas ou não serem famosas não significa ausências de líderes. Quanto às “teorias”, pelo menos duas esfumaçaram-se: a de Francis Fukuyama (O Fim da história) e a de Samuel Huntington (Choque de civilizações). A de Fukuyama já estava desmoralizada há uma década. Agora se enterra de vez a de Huntington.

10. Crise e declínio dos Estados Unidos. Os EUA sofrem maior aprofundamento e desestabilização em seu processo de declínio de sua posição hegemônica no sistema de relações internacionais com a presente Revolução Árabe, que tem sentido democrático, popular e antiimperialista.

De uma coisa temos certeza: a democracia se constroi pela soberania de um povo. Os EUA passaram anos afirmando que levariam a “democracia” para o OM. “Durante nove anos os EUA forçaram uma porta, que só se abre para fora. E mais. Essa porta só se abre por vontade própria. Os acontecimentos das últimas semanas demonstraram com clareza que não apenas partes importantes do OM estão prontas para a mudança, mas também esse impulso vem de dentro 10, afirmou professor de Relações Internacionais da Universidade de Boston, Andrew Bacevich. Cem por cento de acordo.

Box 2:

As duas obras mencionadas no trabalho são de sociólogo e cientista político norte-americano. A primeira delas, O Fim da História e o Último Homem de Francis Fukuyama, sociólogo da Rand Corporation. Publicada no Brasil pela Editora Rocco (489 páginas, R$49,00), teve sua primeira edição no país em 1992, apenas três anos depois que o Muro de Berlim havia sido derrubado em 1989. O mencionado sociólogo cantava em alto e bom som o fim da história com a vitória completa do capitalismo sobre o socialismo e particularmente da vitória do modelo neoliberal. Ele mesmo já fez autocrítica dessa obra, quase que a renegando, pois quem vive mesmo uma profunda crise na atualidade é o sistema capitalista.

A segunda obra, mais recente, é do cientista política também norte-americano Samuel Philip Hungtinton. Ele foi presidente da Associação Norte-Americana de Ciência Política e assessor do então presidente John Kennedy até 1962. Sua primeira publicação foi como artigo, intitulado Clash of Civilization, na revista conceituada de política externa Foreing Police no ano de 1995. No Brasil, na forma de livro, saiu em 1997, pela editora Objetiva (456 páginas, R$64,90). A falência dessa teoria – criticada desde quando na forma do artigo – vem do simples fato de que o mundo não pode ser dividido em religiões ou civilizações vinculadas a religiões. O autor faz uma elucubração de que, no final dos tempos, as luta seria da civilização judaico-cristã contra a civilização islâmica em aliança com a confuciana (chinesa). Não encontrou respaldo quase nenhum entre a intelectualidade progressista.

Quadros dos Países Árabes

País Árabe

Capital

Governo

Independência

Data Nacional

Colonização

Arábia Saudita

Riad

Monarquia

1932

23 de Setembro

Inglaterra

Argélia

Argel

República

1962

1º de Novembro

França

Bahrein

Manama

Monarquia

1971

16 de Dezembro

Inglaterra

Comores

Moroni

República

1975

6 de Julho

França

Djibuti

Djibuti

República

1977

27 de Junho

França

Egito

Cairo

República

1922

23 de Julho

Inglaterra

Emirados Árabes

Abou Dabi

Monarquia

1971

2 de Dezembro

Inglaterra

Iêmen

Sanna

República

1990 (4)

22 de Maio

Inglaterra

Iraque

Bagdá

República

1932

3 de Outubro

Inglaterra

Jordânia

Amãn

Monarquia

1946

25 de Maio

Inglaterra

Kuwait

Cidade do Kuwait

Monarquia

1961

25 de Fevereiro

Inglaterra

Líbano

Beirute

República

1943

22 de Novembro

França

Líbia

Trípoli

República

1951

1º de Setembro

Itália

Marrocos

Rabat

Monarquia

1956

18 de Novembro

França

Mauritânia

Nouakchott

República

1960

28 de Novembro

França

Omã

Mascate

Monarquia

1971

18 de Novembro

Inglaterra

Palestina

Jerusalém (1)

República

Não tem

15 de Novembro (5)

Inglaterra

Qatar

Doha

Monarquia

1971

18 de Dezembro

Inglaterra

Sarauí

El Aaiún (2)

República

Não tem

27 de Fevereiro (6)

Espanha

Síria

Damasco

República

1946

17 de Abril

França

Somália

Mogadício (3)

República

1960

26 de Junho

Itália

Sudão

Cartum

República

1956

1º de Janeiro

Inglaterra

Tunísia

Túnis

República

1956

20 de Março

França

Notas Explicativas

1. A Capital da palestina sugerida pela OLP é Jerusalém

2. É uma capital sugerida, já que o Saara Ocidental vive sob ocupação do Marrocos

3. Fala-se que a Somália é um estado em decomposição

4. Data referente à Unificação do antigo Iêmen do Norte e Iêmen

5. Data da Declaração da criação do Estado da palestina em 1988 pela OLP

6. Essa data é referência a 1976 quando da independência da Espanha

Quadro de Dados e Informações Elaborado pelo Prof. Lejeune Mirhan

Quadro de Dados Econômicos e Populacionais dos Países Árabes

País Árabe

População (1)

%

PIB (2)

%

Reservas (3)

%

Produção (4)

%

Arábia Saudita

28,146

0,42

618,740

1,00

264,590

19,62

9,764

11,59

Argélia

33,769

0,50

217,200

0,35

12,200

0,90

0,000

0,00

Bahrein

0,718

0,01

27,014

0,04

0,124

0,01

0,048

0,06

Djibuti

0,506

0,01

1,878

0,00

0,000

0,00

0,000

0,00

Egito

81,713

1,22

403,960

0,65

4,400

0,33

0,630

0,75

Emirados Árabes

4,621

0,07

185,287

0,30

97,800

7,25

2,798

3,32

Iêmen

23,013

0,34

52,050

0,08

3,300

0,24

0,300

0,36

Comores

0,731

0,01

1,262

0,00

0,000

0,00

0,000

0,00

Iraque

28,221

0,42

89,800

0,14

115,000

8,53

2,420

2,87

Jordânia

6,198

0,09

27,960

0,05

0,001

0,00

0,000

0,00

Kuwait

2,596

0,04

140,589

0,23

101,500

7,53

2,494

2,96

Líbano

3,971

0,06

42,271

0,07

0,000

0,00

0,000

0,00

Líbia

6,173

0,09

67,244

0,11

46,000

3,41

1,550

1,84

Marrocos

34,343

0,51

152,200

0,25

0,007

0,00

0,004

0,00

Mauritânia

3,054

0,05

7,159

0,01

0,100

0,01

0,012

0,01

Omã

3,311

0,05

66,889

0,11

4,978

0,37

0,806

0,96

Palestina (5)

5,346

0,08

11,950

0,02

0,000

0,00

0,000

0,00

Qatar

0,824

0,01

75,224

0,12

25,380

1,88

1,208

1,43

Síria

19,747

0,29

87,091

0,14

2,500

0,19

0,367

0,44

Sarauí

0,393

0,01

0,000

0,00

0,000

0,00

0,000

0,00

Somália

9,558

0,14

7,599

0,01

0,000

0,00

0,000

0,00

Sudão

40,218

0,60

107,800

0,17

6,800

0,50

0,480

0,57

Tunísia

10,383

0,15

86,670

0,14

0,425

0,03

0,086

0,10

Totais Gerais

347,553

5,18

2.477,837

4,00

685,11

50,81

22,967

27,26

Resto do Mundo

6.363,373

94,82

59.485,592

96,00

663,42

49,19

61,273

72,74

Totais no Planeta

6.710,926

100,00

61.963,429

100,00

1.348,53

100,00

84,240

100,00

Fontes: FMI; Wikipédia e EIA/USA e CIA Factbook

Notas Explicativas

1. Em milhões de habitantes

2. Em bilhões de Dólares

3. Em bilhões de barris

4. Em milhões de barris por dia

5. A população da palestina é a soma de Gaza, Cisjordânia e árabes residentes em Israel

Observação: os percentuais são relacionados com os totais mundiais

Quadro dos Países Exportadores de Petróleo

País

Exportação (1)

Arábia Saudita

8,651

Rússia

6,650

Noruega

2,542

Irã

2,519

Emirados Árabes Unidos

2,515

Venezuela

2,303

Kuwait

2,146

Argélia

1,847

Líbia

1,525

Iraque

1,438

Totais Gerais

32,136

Fontes: US Energy Information 2010

1. Em milhões de barris por dia

Elaborado pelo Prof. Lejeune Mirhan

Quadro dos Países Não Produtores de Petróleo

País

Importação (1)

Japão

5,570

Alemanha

2,677

Coreia

2,061

França

2,060

Itália

1,874

Espanha

1,537

Totais Gerais

15,779

Fontes: CIA Factbook de 2010

1. Em milhões de barris por dia

Elaborado pelo Prof. Lejeune Mirhan

Quadro das Seis Irmãs das Indústrias de Petróleo

Empresa

País

Empregados (1)

Faturamento (2)

ExxonMobil

EUA

102,70

310,58

ChevronTexaco

EUA

61,53

174,10

Shell

Holanda

102,00

458,36

Britrish Petroleum

Inglaterra

102,90

285,00

Total

Franã

11,40

222,89

ConnocoPhilips

EUA

33,80

246,18

Totais Gerais

414,33

1.697,11

Fontes: Wikipédia

1. Em mil trabalhadores

2. Em bilhões de dólares

Elaborado pelo Prof. Lejeune Mirhan

Quadro das Maiores Empresas Petrolíferas do Mundo – Reservas e Produção

Ordem

Empresas

Reservas (1)

Empresas

Produção (2)

Saudi Aramco

260,00

Saudi Aramco

11,00

Iranian NOC (3)

138,00

Iranian NOC

4,00

Qatar Petroleum

15,00

Kuwait Petroleum CO

3,70

Iraq NOC

116,00

Iraq NOC

2,70

Petróleo de Venezuela

99,00

Petróleo de Venezuela

2,60

Abu Dhabi NOC

92,00

Abu Dhabi NOC

2,60

Kuwait Petroleum CO

102,00

Petróleo Mexicano

2,50

Nigerian NOC

36,00

Nigerian NOC

2,30

Lybia NOC

41,00

Lybia NOC

2,10

10ª

Sonatrach (Argélia)

12,00

Lukoil (Rússia)

1,90

Totais Gerais

911,00

35,40

Fontes: Wikipédia

1. Em bilhões de barris

2. Em milhões de barris por dia

3. A Sigla NOC quer dizer: National Oil Company

Quadro de Dados e Informações Elaborado pelo Prof. Lejeune Mirhan

Sugestão de olhos

  1. A soma de todos os PIBs dos países árabes chega a US$2,477 trilhões de dólares, ou apenas 4% de todo o PIB mundial.

  2. Esses países produzem todos os dias 22,967 milhões de barris, o que significa 27,26% da produção total no mundo

  3. Sabe-se que não há como o mundo substituir a sua dependência do petróleo e gás natural pelos próximos 30 ou mesmo 50 anos

  4. Os levantes populares em curso no OM tiveram seu início, de forma inesperada, com o caso do jovem de 26 anos Mohammed Boazizi que se imolou publicamente

  5. Há também a questão estratégica da defesa incondicional por parte dos EUA, do Estado sionista de Israel

  6. É possível que estejamos testemunhando o nascimento de um novo tipo de política revolucionária

Sugestão de legendas e imagens

  1. Infográfico sobre a região do Oriente Médio e o Norte da África.

Legenda: Determinadas pela Inglaterra e França, logo depois de vencerem a Primeira Guerra Mundial, as fronteiras entre os países são retas, como se divididas tivessem sido por riscos feitos com lápis num mapa da região.

  1. Imagem de um petrolífero, extração de petróleo, algo assim

Legenda: Os maiores países ocidentais não são produtores de petróleo. Os Estados Unidos, por exemplo, precisam importar todos os dias 12,22 milhões de barris, visto que consomem todos os dias 19,497 milhões de b/d

  1. Imagem de práticas religiosas mulçumanas, no dia do Ramadã, por exemplo, ou em MECA, por exemplo

Legenda: Hoje, existem no mundo 1,6 bilhões de muçulmanos praticantes. Apesar disso, a questão religiosa não é a causa dos conflitos no OM, embora seja utilizada como pano de fundo e cujo objetivo é indispor bilhões de pessoas contra uma das maiores religiões do mundo

  1. Lênin ou imagem de conflitos armados

Legenda: Segundo Lênin, líder da Revolução Bolchevique de Outubro de 1917, para que ocorra uma revolução é necessário que haja uma combinação entre as condições objetivas, como desemprego elevado, fome e a miséria, e as condições subjetivas: uma liderança política revolucionária e elevada consciência das massas

  1. Barack Obama

Legenda: O presidente norte-americano, Barack Obama, insiste em classificar partidos políticos como o Hamas e o Hezbolláh como “terroristas” e, assim, vai se antagonizando com mais de 1,6 bilhões de muçulmanos de todo o mundo

1 Citado por Stephen M. Walt, no OESP de 20 de fevereiro de 2011, reproduzindo a Foreign Police.

2 Helena Cobban, de seu Blog http://justworldnews.org/

3 Bloco de Paz em Israel (Gush Shalom)

4 Carta Capital de 9 de fevereiro de 2011, citando artigo de Luiz Antônio Costa.

5 Sami Moubayed, em artigo no Asia Times de 9 de fevereiro de 2011 (http://www.atimes.com/).

6 Gilbert Achcar, da School of Oriental and African Studies de Londres.

7 Nabil Shawkat do Ahram Online

8 Peter Beamont do The Observer na Carta Capital, 23 de fevereiro de 2011.

9 The Independent, de 20 de fevereiro de 2011.

10 Andrew Bacevich, da Universidade de Boston.