A Síria e a transição para um mundo multipolar

José Farhat *

Lejeune Mirhan **

Khaled Fayez Mahassen ***

Em setembro, completou 30 meses da crise na Síria, que caracterizamos como uma agressão externa e não como uma guerra civil. Estatísticas nunca confirmadas falam em mais de cem mil mortos até agora. Já se falou que o conflito encerra uma nova ordem mundial em evolução. A transição de um mundo unipolar para um mundo multipolar. Trataremos neste artigo de analisar o atual estágio do conflito, suas repercussões e desdobramento, à luz de uma visão de política internacional avançada, revolucionária e marxista.

Eric Hobsbawn já disse que o século XX foi o mais curto da história. Começou em 1917 com a Revolução Russa de outubro e acabou com o fim da URSS em 1991. Se pensarmos em “Ordens Mundiais”, como períodos onde certos países eram hegemônicos, podemos dizer que tivemos três “Ordens” no curto século XX.

A primeira teve início em 1919 com a assinatura do tratado de Versalhes em 28 de junho. Em 10 de janeiro de 1920 surge a Liga das Nações com a Inglaterra como Nação hegemônica. Essa “Ordem” vai até o final da 2ª Guerra, mais precisamente em 24 de outubro de 1945, com a criação da ONU. Dura 26 anos. Emerge na Nova Ordem os EUA como potência hegemônica, mas com um mundo em equilíbrio com a URSS como contraponto. Essa segunda “Ordem” durará mais tempo, com 46 anos e vai até o final da Guerra contra o Iraque em janeiro de 1991.

Nesse período, a partir dos anos 1970, consolida-se o modelo neoliberal de capitalismo financeiro, estado “mínimo”, perda de direito dos trabalhadores e precarização do trabalho. É o período Reagan e Thatcher. América Latina é totalmente dominada pelos Estados Unidos. A URSS acabaria em dezembro de 1991. O mundo passa a ser unipolar.

Vivemos assim, a partir daí o período de uma terceira “Ordem Mundial”. Os EUA passam a ser a potência hegemônica. No entanto, a característica central é que passamos por uma transição para a multipolaridade. Emergem potências regionais que começam a fazerem-se ouvidas. É o caso do bloco BRICS, com destaque para a China e Rússia na Ásia e Brasil na América do Sul. A aliança e cooperação militar de Xangai. A própria União Europeia com a sua nova moeda – o Euro – tenta se firmar como contraponto aos EUA e ao dólar.

Já se disse que é possível que a Nova Ordem em transição para a multipolaridade esteja sendo construída a partir de 4 de fevereiro de 2012. Nessa data, a Rússia e a China, depois de muito tempo, vetam inteiramente uma Resolução no Conselho de Segurança da ONU que, se aprovada, autorizaria o bombardeio da Síria. Iniciava-se nesse momento, certa volta a uma polarização jamais vista na história recente.

Se considerarmos esse fato um marco, o mundo unipolar terá durado 21 anos apenas. É nesse contexto que temos que entender a agressão que a República Árabe da Síria vem sofrendo.

Porque o imperialismo quer destruir a Síria?

Um dos países mais antigos da terra com vida continuada, a Síria segue sendo o único Estado verdadeiramente laico em todo o mundo árabe. Possui governo integrado por oito partidos, que inclui o principal e majoritário, que é o Partido Socialista Árabe-Sírio – Al Baath, os dois Partidos Comunistas entre outros. Tem um parlamento funcionando com 22 partidos com representação, uma constituição aprovada por mais de 70% da população e democrática.

Há ao largo um punhado de ingênuos que acreditam piamente que a intervenção militar contra a Síria é baseada em razões morais (é o que pretendem passar à Umma – nação dos crentes – as monarquias do Golfo Arábico) e na defesa dos direitos humanos (discurso destinado ao mundo inteiro, principalmente ao não muçulmano).

É cinismo puro atribuir ao regime sírio todas as mortes do conflito e a tentativa de atenuar o alcance dos crimes cometidos pelos mercenários estrangeiros. Os Estados Unidos demonstram incoerência extrema quando se colocam ao lado da Al-Qaeda e principalmente de sua filiada a facção Emirado Islâmico no Iraque e no Levante (Al Chams), pois aqui são aliados daqueles que declaram serem seus inimigos, os únicos que foram capazes de atacar o coração de seu país.

Uma intervenção na Síria, direta ou indireta, é ilegal e contraria a Carta das Nações Unidas, pois somente o Conselho de Segurança dessa organização mundial tem poderes para autorizar o uso da força e em casos nitidamente evidenciados.

O ataque à Síria está intimamente relacionado com grandes interesses geopolíticos ancorados numa região crucial para o futuro energético do planeta. O verdadeiro pecado da Síria é ser um obstáculo estratégico, há dez anos, no caminho da dominação estadunidense-sionista no Oriente Médio, um exemplo de desobediência inédita e encorajadora a outras na região. A hegemonia estadunidense-sionista vê no regime sírio, ancorado numa vasta aliança de forças que se opõe à dominação estadunidense e, ao mesmo tempo, à expansão israelense.

Não se pode omitir o fato de que a Síria é o único estado árabe que se mantém firme, de pé, recusando qualquer compromisso com Israel, enquanto o Golã não lhe for restituído, nos termos da lei internacional e o povo sírio está em sua totalidade apoiando o seu governo na retomada de sua integridade territorial e é sobre este princípio de intransigência patriótica que o regime do habitat fundamenta a sua legitimidade que o regime baasista fundamenta a sua legitimidade.

O que incomoda na Síria, inclusive para os poderosos árabes do petróleo e gás e às pretensões hegemônicas estadunidense-sionistas é sua lealdade ao nacionalismo árabe à resistência formada entre Damasco, o Hezbolláh (no Líbano) e Teerã que já conta com vitórias importantes desde 2006: a vitória política do Hamas contra a intromissão sionista no processo eleitoral palestino e a vitória militar do Hezbolláh e seus aliados internos que compõem a resistência libanesa contra a agressão sionista ao Líbano (chamada de “Frente 8 de Março”). A vitória militar sobre as forças sionistas significaram que o Líbano não aceita mais ser ocupado, e que cresce a cada dia a resistência palestina.

Desde os levantes populares em 2011 que derrubaram os presidentes do Egito e da Tunísia, que se vem chamando de “Primavera Árabe”, a rua árabe esta inquieta. Milhões têm ido às ruas para reafirmar as reivindicações populares, que vêm sendo sorrateiramente contrariados pelos regimes resultantes dos levantes. Mais recentemente no Cairo, em junho passado, o movimento Tamarud (“rebeldia” em árabe) mobilizou 22 milhões de assinaturas e levou às ruas 30 milhões de pessoas que levaram à destituição do presidente Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, que tentava levar o Egito, de forma acelerada, para se transformar numa República Islâmica, na linha do Califado da alvorada do Islã do Século VII.

Segundo dados confirmados até por satélites, foi a maior manifestação de rua da história da humanidade nos últimos tempos em um país. Mais de 35% de toda a população do Egito foi às ruas contra Mursi. O povo egípcio recusava a política de Mursi que caminhava rumo à subserviência aos EUA, aos ditames das monarquias árabes do petróleo, sua leniência com relação a Israel, sua atitude contrária aos interesses do povo sírio e, sobretudo, ao não cumprimento das reivindicações do povo egípcio que tem o pão e a igualdade como objetivos principais.

O imperialismo perdeu nitidamente espaços no mundo árabe. Mas, segue forte. Tem como aliados todas as petromonarquias do Golfo, reacionárias e de extrema direita. Não há nesses países nenhuma democracia que eles tanto pregam para a Síria. Financiam aberta e descaradamente mercenários vindos de mais de 80 países distintos, inclusive libertam presos condenados em seus próprios países para lutar e morrer na Síria.

A mídia, mesmo apoiando abertamente esses ataques, perpetrados pelos que ela chama de “rebeldes”, mas que agem como mercenários e terroristas, aos poucos vem mostrando quem de fato eles são. Graças às redes independentes de TV, vídeos amadores, a imprensa árabe que pratica um jornalismo mais equilibrado, como a TV Al Manar (do Líbano), a Press TV e a Hispan TV do Irã, a Telesur, da Venezuela entre outras, já vai ficando mais claro para o Ocidente que a guerra que se trava na Síria nada tem a ver com a restauração da democracia naquele país árabe.

Como disse Semih Idiz, do jornal conservador turco chamado Hurriyet, a batalha que se trava na Síria não é por democracia ou contra um ditador “cruel”, mas sim se a Síria seguirá secular ou se cairá em mãos de jihadistas que a pretendem governar com base na Sharia. Querem de todas as formas instaurar por lá uma República Islâmica aliada do imperialismo. Perseguem de todas as formas os cristãos e destroem suas Igrejas. Mesquitas que não sejam sunitas também são atacadas, assim como os minoritários drusos e alauitas. Abominam a laicidade das instituições.

Ainda assim, os grupos islâmicos que querem depor o presidente sírio, Dr. Bashar Al Assad, estão a cada dia mais divididos. Basicamente temos hoje três grupos: o autoproclamado Exército Livre da Síria – ELS apoiado pelo Qatar e pela Turquia; o Exército do Islã, que rachou com o ELS, apoiado pela Arábia Saudita e pela Jordânia e por fim o formado recentemente Estado Islâmico no Iraque e no Levante vinculado diretamente à rede terrorista Al Qaeda. Todos esses agrupamentos recebem apoio tácito diretamente dos EUA e das suas agências de inteligência, das potências europeias (especialmente França e Inglaterra) e do Mossad de Israel, que tem interesse que seja desmontado, destruído toda a estrutura do Estado nacional sírio. Esses são os atores em jogo, na disputa.

Como afirma o Secretário-Geral do PC Libanês, o mais antigo do Oriente Médio, Khaled Hadadah, são quatro os objetivos do imperialismo estadunidense na atual fase da luta no mundo árabe: 1. Terminar de implantar o plano chamado “Novo Oriente Médio”, concebido na gestão de George W. Bush e Condoleezza Rice, que prevê a erosão e destruição do Líbano e da Síria; 2. Liquidação da causa Palestina; 3. Controlar o Egito, com a troca do governo laico por um islâmico ditatorial para conter o crescimento e a força do Irã; 4. Impedir que a Rússia volte a ter influência no OM como no passado a URSS teve.

Por fim, não podemos deixar de mencionar o que, de nosso ponto de vista, é o motivo principal do conflito pela destruição da Síria: a questão econômica. Ainda que o petróleo siga sendo a questão central no mundo hoje, pesquisas sobre extração do xisto betuminoso a preços baixos pode fazer com que o óleo não seja tão estratégico em futuro próximo. No entanto, o gás passa a ser primordial.

Há em curso a construção de um gasoduto pela GASPROM, da Rússia, saindo da Sibéria, que passa pelo Iraque e Síria, cujo destino é oferecer gás para a Europa. O Irã apoia esse projeto. Não é por acaso que o Qatar, que financiava abertamente os terroristas na Síria, queria manter o controle da “torneira síria”.

Chegamos ao fim de uma era?

Desde a deposição por um golpe de Muhammad Mossadegh do Irã em 1953, há 70 anos, com ajuda da CIA, o Oriente Médio praticamente não possui estados independentes e soberanos. São, em sua maioria, protetorados estadunidenses, que apoiam Israel. Em algum momento o Egito, sob Nasser, de 1954 até 1970 tinha sido firme defensor dos árabes, em uma época que foi forte o nacionalismo.

O Iraque de Saddam Hussein, talvez entre 1989 e 2003, quando o país foi invadido e ele assassinado, também podemos classificar dessa forma. Também a Líbia de Muammar Kadhafi podemos afirmar que foi independente. Mas também ele foi deposto e assassinado em 2011. Restou só a Síria, hoje governada por Bashar Al Assad, um jovem médico oftalmologista. Nada mais restou de soberania e independência. Petromonarquias à serviço do imperialismo, cedem seus países para bases militares ora americana, ora inglesa ou francesa. E é justamente essa Síria, com governo nitidamente antiimperialista é que o imperialismo pretende remover do complexo tabuleiro de xadrez da geopolítica no Oriente Médio.

Destruir o Estado nacional sírio, derrubar o seu governo, passou a ser a agenda dos EUA desde 2011. E sabemos que o grande objetivo mesmo será a destruição do Irã e sua República Islâmica. Uma certa esquerda brasileira e internacional sequer compreende a batalha que se trava naquele país. Chegam ao absurdo de falar em “uma revolução popular” (sic), quando se sabe que praticamente não há sírios combatendo o governo, mas sim mercenários contratados a peso de ouro financiados diretamente pelas monarquias do Golfo.

A tal Coalizão Nacional Síria, montada pelos inimigos desse país, é um arremedo de frente política. Não tem unidade e quase todos os seus integrantes moram em Londres, Paris ou Istambul. O tal Exército Sírio “Livre” é formado por militantes fundamentalistas islâmicos vindo de várias partes do mundo. Vão morrer na Síria, cujo exército nacional árabe-sírio que lhes dá combate diuturno já controla praticamente 90% do território, exceto algumas áreas de fronteiras, em especial com a Turquia.

Obama vinha falando desde 2011 em “mudança de regime”. Abandonou faz tempo essa linha. Ano passado passou a falar em “linhas vermelhas que não poderiam ser cruzadas”, referentes ao uso de armas químicas. Sabendo disso, a oposição armada as usou em março e agosto. Para forçar um ataque direto dos Estados Unidos e tentar enfraquecer o governo do presidente Bashar.

A partir do ataque de 21 de agosto nos arredores de Damasco, o mundo inteiro apontou imediatamente o dedo para o governo da Síria. Na prática era o que tinha o menor interesse em usar armas químicas contra seu povo e contra seu próprio exército, que fora atingido em cheio. Os russos e seus satélites demonstraram que foram os terroristas, chamados de rebeldes que fizeram uso dessas armas.

Iniciaram as ameaças de ataque imediato. Mesmo tendo todo o Estado Maior de suas forças armadas contra qualquer ataque à Síria, Obama, o “Nobel da Paz”, preparava-se para a sua quarta guerra. Foi derrotado. Perdeu de imediato o apoio do Reino Unido, cujo parlamento negou a David Cameron a autorização do ataque. Se votado fosse na França, o belicoso “socialista” François Hollande teria também sido derrotado.

Restou ao presidente estadunidense pedir ao seu Congresso o apoio. Disse que desta vez “atacaria mesmo que sozinho”. Foi, mais uma vez, derrotado. Desta vez pela diplomacia russa, que, cada dia mais, ocupa o cenário da política internacional e volta a ocupar um grande espaço no Oriente Médio.

Defendendo a Síria desde os primeiros momentos do conflito, a Rússia apresentou a proposta de que a Síria assinasse o tratado de controle de armas químicas e que entregasse seu arsenal para os organismos internacionais. Imediatamente o governo sírio disse que concordaria com a proposta.

Foi como se Obama fosse salvo da desmoralização pública internacional pelos russos! Quem diria. Ele seria, ao que tudo indicava, fragorosamente derrotado no Congresso. Nunca houve potência que lançou mais produtos químicos sobre outro povo do que os Estados Unidos. Não nos esqueçamos de que nos 13 anos da guerra contra o Vietnã (1962-1975), essa potência lançou dioxinas (agente laranja) contra os vietnamitas na proporção de pelo menos 2,73 Kg por habitante! No Iraque usou balas de urânio empobrecido. Nisto os EUA foram seguidos por Israel que lançou contra os palestinos em janeiro de 2009 – fornecido pelos EUA – bombas de fósforo branco. Mesmo assim, tiveram a hipocrisia de falar contra uso de armas químicas.

Obama não tergiversou em prosseguir todas as guerras iniciadas pelo seu antecessor. Não só não interrompeu as do Iraque e do Afeganistão, como iniciou a da Líbia e queria atacar a Síria. Criou uma rede mundial de aviões sem piloto – chamados drones – que, à sua ordem, assassinam líderes opositores dos EUA em qualquer país no mundo. Assassinato à distância!

Neste quadro, o recuo para o ataque foi uma questão de horas. Não havia saída. A menos ruim foi “suspender” os ataques que nunca aconteceram. Uma vitória do povo dos Estados Unidos que foi às ruas pressionar seus congressistas a votarem contra a resolução de ataque. Mas, acima de tudo, uma vitória do heroico povo da Síria, de seu governo e de seu exército árabe que vem resistindo às agressões externas. É bem verdade que estão destruindo o país e expulsando milhares de suas terras. Mas, em pouco tempo a Síria será reconstruída e os refugiados serão reintegrados às suas casas. Haverá eleições em maio de 2014. Achamos muito improvável que o atual presidente não seja reeleito. Ele tem sido visto na Síria e no Oriente Médio como um todo como um grande estadista, sucessor de Gamal Abdel Nasser.

Algumas conclusões

Não temos dúvida que a batalha que se trava na Síria hoje é a batalha por uma nova Ordem Mundial. É a batalha que anuncia a transição mundial de um mundo unipolar para a multipolaridade. Será a derrota dos protetorados como o Qatar, Arábia Saudita, Jordânia, da Turquia de Erdogan e seu Califado, da Irmandade Muçulmana no Egito, já posta da ilegalidade pelo povo egípcio. O cenário que se desenha é do isolamento ainda maior de Israel e do sionismo que massacra diariamente o povo palestino há 65 anos.

Um novo Oriente Médio vem se desenhando no cenário mundial. Obama vem aprendendo, pelos erros que vem cometendo. Parece ter aprendido que seus aliados na guerra contra a Síria são os tais terroristas que ele diz combater no mundo inteiro, em especial a Al Qaeda de Bin Laden que ele se orgulha em dizer que capturou e matou no Afeganistão.

Tudo indica que uma Conferência de Paz ocorrerá sobre a Síria. Os acertos para isso estão sendo feitos pelas chancelarias da Rússia e dos EUA, com Lavrov e Kerry. Fala-se que se realizará em novembro, em Genebra. O governo sírio participaria e sua oposição desarmada. Obama precisa voltar-se para ajudar a resolver o problema dos palestinos. Tem que restabelecer a paz com o Irã, para desespero do reacionário Benjamin Netanyahú.

O que vimos nesses episódios todos foi que talvez nunca na história recente da humanidade, desde o início do século passado, o imperialismo nunca esteve tão acuado quanto agora. Não está derrotado. Mas está mais isolado e cada dia mais decadente. Não consegue mais tomar uma decisão de atacar um país isoladamente como, por exemplo, Bush tomou em 2003, sem aval da ONU.

De fato, vemos o mundo em mudança, convulsão e desajuste, como sugere o livro de Amin Maalouf. No entanto, vemos esperança nas forças progressistas, seculares, patrióticas, vemos bons sinais de ampla aliança que envolve comunistas, socialistas, cristãos e muçulmanos patrióticos, como ocorre hoje no governo no Líbano e na Síria. É possível que a Frente de Salvação Nacional do Egito, que organizou os protestos que depuseram o reacionário Mursi, vença as eleições de 2014, da mesma forma que na Síria. Há que perseverar.

Como diz o excelente John Pilger, mencionando os juízes do Tribunal de Nuremberg: “Qualquer cidadão tem o direito de violar as leis domésticas para impedir crimes contra a humanidade e contra a paz”. Tal qual Pilger, também assim dizemos: toda a nossa honra ao povo da Síria. Povos do mundo inteiro e em especial dos Estados Unidos têm muito que aprender com ele.

Bibliografia Consultada

Os artigos abaixo, todos traduzidos pela vila Vudu de tradutores.

Al-Manar TV, “Para os EUA, acabou o tempo das tentativas e erros”, Líbano, 4/9/2013;

Blog Moon alabama, Uma breve história da guerra dos EUA contra a Síria: 2006 a 2014, 14/9/13;

Dmitry Babich, Síria: Por que o ocidente encolheu-se, The BRICS Post, Moscou, 30/8/2013;

Dmitry Minin, Síria: Mecanismos abertos e clandestinos da provocação química, Strategic Culture, 29/8/2013;

Fahd Saad Andraos, Síria no caldeirão dos projetos de gás gigantes! Global Research, 21/07/2013;

Finian Cunningham, A Síria é o coração da resistência, Information Clearing House, 31/8/2013;

Gareth Porter, Na pressa para atacar a Síria, EUA tenta impedir que a ONU investigue, Inter Press Service, 27/8/2013;

Bashar Al Assad, Todos os contratos assinados com a Rússia serão honrados, entrevista ao jorna Izvestia, 26/8/2013;

Jim Lobe, Irã e síria, dois pássaros para um só tiro dos Estados Unidos, Inter Press Service, 7/9/2013;

John Pilger, De Hiroshima à Síria: o inimigo cujo nome não queremos dizer, Blog Pessoal, 11/9/13;

Malbrunot, Entrevista do Presidente Bashar AL-Assad, Le Figaro, 1º/9/2013;

MK Bhadrakumar, A Síria desafia o legado da presidência de Obama, Indian Punchline, 30/8/2013;

MK Bhadrakumar, O grande momento de Putin no cenário mundial, Strategic Culture, 7/9/2013;

MK Bhadrakumar, Putin joga a carta do entendimento para a Síria, Indian Punchline, 1/9/2013;

China Daily, Nada justifica os ataques, Pequim, 29/8/2013;

Paul Craig Roberts, Síria: Mais um crime de guerra ocidental em preparação, 29/8/2013;

Pedro Porfírio, A Síria que os EUA querem destruir, Blog Pedro Porfírio, 1/9/2013;

Pepe Escobar, Cães da guerra versus a caravana emergente, Asia Times Online, 6/9/2013;

Pepe Escobar, EUA: nação indispensável (para bombardear), Asia Tomes Online, 3/9/2012;

Ray McGovern, É hora de revelar o que a inteligência dos EUA sabe sobre a Síria, Information Claering House e Consortium News, 9/9/2013;

Robert Fisk, Obama sabe que se aliou à AL-Qaeda?!, The Independent, 27/8/2013;

Robert Parry, Síria e a ‘Máquina do Apocalipse’ de Obama, Consortium News, 6/9/2013;

Shamus Cooke, A mentira da guerra “limitada” à Síria, Counterpunch, 2/9/2013.

* Cientista Político, é Diretor da Relações Internacionais do ICArabe;

** Sociólogo, professor escritor e arabista. É colaborador do portal Vermelho, da Fundação Grabois, da Revista Sociologia;

*** Jornalista, empresário e diretor da revista Sawtak.