Idéias para a constituição de um Comitê contra a Guerra no Golfo e pela Paz

Em função da reorganização do Comitê Contra a Guerra no Golfo e pela Paz, decisão essa tomada por unanimidade entre os mais de 60 participantes de uma reunião ocorrida em 13 de janeiro passado, esta segunda reunião reveste-se de maior importância, até pelo fato que os preparativos para a guerra estão cada vez mais intensos. Apresenta-se aqui algumas idéias gerais para o debate.

1. Caráter do Comitê – deve ser amplo, suprapartidário, dele participando entidades gerais representativa da sociedade civil, partidos políticos, parlamentares, religiosos ou igrejas e personalidades que queiram se somar à luta contra a guerra;

2. Objetivos – desencadear entre o povo paulista um movimento de solidariedade ao povo iraquiano; divulgar informações reais e verídicas sobre a real situação do povo do Iraque e sobre os preparativos do bombardeio; desenvolver atividades de massa de solidariedade ativa com o Iraque sejam elas manifestações de rua, em locais fechados ou ainda participar de campanhas de solidariedade ao Iraque que possam incluir envio de pessoas ao país ou outras atividades;

3. Formas de deliberação – em função do caráter do comitê, suas decisões devem ser tomadas sempre por consenso entre os seus participantes;

4. Sede física – deve ter um ponto de referência físico para as pessoas, que pode ser uma sala cedida em alguma entidade que apóia o Comitê, uma sala na Câmara Municipal (local central), ou um sindicato, que tenha minimamente uma secretária, um telefone, micro e internet (para convocação de reuniões);

5. Coordenação geral – deve ser integrada por representantes das entidades gerais nacionais, indicados para participar do Comitê em caráter mais permanente;

6. Coordenação executiva – deve ser formado por um conjunto de pessoas com tarefas exclusivas de encaminhamento das decisões consensuais tomadas de forma coletiva e que consigam operacionalizar essas mesmas decisões. Sugere-se um mínimo de 5 (cinco) pessoas;

7. Secretaria executiva – estaria integrada à coordenação executiva e teria como incumbência basicamente: redigir as memórias das reuniões; estar atento à convocação das pessoas e das entidades das próximas reuniões; propor uma pauta; secretariar os trabalhos do Comitê;

8. Assessoria de imprensa – seria bom que um dos integrantes da coordenação executiva pudesse ter mais dedicação ao trabalho de avisar e contatar com a imprensa em geral, passando as decisões do comitê, em especial as suas atividades;

9. Despesas – o Comitê deve ser auto-sustentável. As suas despesas de impressão de eventuais folhetos devem ser feitas pelas entidades gerais que o integram ou eventualmente rateadas entre os participantes;

10. Delegação internacional – o Comitê deve pensar na possibilidade de enviar ao Iraque uma delegação de alto nível, composta por um representante das grandes e principais entidades nacionais do país. Tais pessoas devem ter um grande conhecimento sobre a situação do Iraque, do mundo árabe e uma razoável firmeza ideológica e compreensão da missão internacionalista de paz a que estará participando. Para tal evento, a Comitê poderá contar com o apoio de parlamentares solidários à luta do povo árabe, diplomatas e mesmo iraquianos residentes no país.

São Paulo, 3 de fevereiro de 2003.

Prof. Lejeune Mirhan Xavier de Carvalho

Membro do Comitê e Vice-Presidente da CNPL