Prof. Lejeune Mirhan Sociólogo,Escritor e Arabista. Diretor do Sindicato dos Sociólogos do Estado de SPColunista do Portal Vermelho e da Revista Sociologia Celulares: +5511-99887-1963+5519-98196-3145 Trabalho: +5519-3368-6481

Pesquisas eleitorais: sua história, validade e importância

Lejeune Mirhan*

Meu primeiro artigo científico em revista indexada saiu em 1990, quando comentei sobre a cientificidade dos resultados de pesquisas eleitorais no primeiro turno das eleições presidenciais de 1989, a primeira desde 1960 que elegeu Jânio Quadros (2).Havia à época cinco institutos pesquisando para presidente. Hoje são mais, sendo que Ibope, DataFolha, Vox Populi existem até os dias atuais. Neste cenário conturbado de estado de exceção que vivemos, de forte influência do poder econômico, da prisão do maior líder da história do país sem que haja crime tipificado (na verdade, um preso político) e o candidato fascista aprisionado em um hospital, fazem com que os últimos 15 dias de campanha tornem-se extremamente tensos. Como se diz, a primeira vítima em uma guerra é a verdade. Eu parafraseio esse pensamento para dizer que uma vítima neste processo não é só a verdade, mas a interpretação dos resultados dessas mesmas pesquisas. Lecionei por mais de duas décadas em universidade onde ministrava prioritariamente a cadeira de Sociologia. Mas, também lecionava Métodos e Técnicas de Pesquisa. Como sociólogo e ex-presidente da Federação Nacional dos Sociólogos e do Sindicato de SP, sempre vi o espaço das pesquisas como privilegiado dos e das sociólogas. Por isso sou defensor ardoroso do trabalho desses profissionais. Nesse sentido, quero novamente comentar sobre elas.

A fundamentação teórica das pesquisas

Foram dois os eminentes matemáticos franceses os precursores da fundamentação teórica que sustentam a validade científica das pesquisas de opinião. Ambos viveram no século XVII. Foram eles Blaise Pascal (1623-1662) (3) e Pierre Fermat (1608-1665) (4). Ambos matemáticos brilhantes, Pascal em particular, entre tantos atributos e invenções, ele desenvolveu as bases da Lei das Probabilidades, que seria aperfeiçoada posteriormente por Pierre Simon Laplace (1749-1827).

(Blaise Pascal, abaixo)

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A regra geral da teoria, pode-se resumir, é que se uma pequena amostra de qualquer coisa estiver bastante semelhante a um todo, há uma grande probabilidade de que ela reflita esse todo, esse geral. Traduzindo isso para pesquisas. Se conseguíssemos sintetizar em uma pequena amostra de, digamos, cinco mil eleitores, o perfil bastante próximo do perfil geral dos 147 milhões de eleitores brasileiros, haveria uma grande probabilidade de que os resultados da opinião dessa amostra fossem semelhantes ou próximos da opinião do todo (que só será verificada mesmo nas urnas).

Para exemplificar o significado de uma amostra, tenho dado o exemplo de um cozinheira que prepara uma sopa para um batalhão de soldados. Ela o faz em um caldeirão imenso. Após algum tempo de fervura ela precisa experimentar o sabor para ver se faltou algum tempero. O que ela faz? Toma o caldeirão todo? Claro que não. Ela prova uma pequena porção da sopa, retirando com uma colher e depositando algumas gotinhas em sua palma da mão. Em seguida, dá a famosa lambida básica. Se essa amostra estiver parecida com o todo ela saberá exatamente como está a sopa em geral. Simples assim.

Um pouco de história

Sabemos bem da história dos EUA, da sua recessão profunda e da quebra da sua bolsa de valores em 1929 e do caos decorrente disso. Em novembro de 1932 sería eleito Franklin Delano Roosevelt como o 32º presidente dos Estados Unidos. ele acabou por fazer um bom governo, debelar a recessão, implantar algo como “estado de bem estar social” (keynesianismo) e disputou a sua primeira reeleição em 1936. Pois bem. O Instituto Gallup (5), fundado um ano antes, em 1935 e existente até hoje – uma grande instituição de pesquisa com filiais em vários países do mundo – resolveu fazer pela primeira vez, uma pesquisa de boca de urna. Entrevistou em todo os Estados Unidos apenas e insignificantes 1.500 eleitores, pois sua margem de erro era de 4%. Anunciou a vitória de Roosevelt de forma muito precisa e pela primeira vez, um jornal compraria uma pesquisa, aqui compraria no sentido de apostar no seu resultado, e deu manchete em primeira página, esgotando sua edição, ou seja, o jornal acreditou nos resultados e enquanto todos os outros aguardavam ainda a lenta apuração, o The New York Times nadava de braçada com um “furo” jornalístico que só sería confirmado alguns dias depois. Venderam jornal como jamais tinham vendido.  (Pierre Fermat, abaixo)

 

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No caso do Brasil, o Gallup era dirigido pelo sociólogo Carlos Matheus (já falecido). Sua estreia ocorre em meio ao vendaval da oposição consentida ao regime militar, quando eles anunciaram a vitória por pesquisa de boca de urna de um desconhecido deputado estadual do MDB em 1974, para o senado por São Paulo. Chamava-se Orestes Quércia. Pela primeira vez também a margem de erro sería reduzida para apenas 2%. Um grande tento para o Instituto Gallup do Brasil e para a ciência Sociologia e suas pesquisas científicas.

A metodologia

O desafio de todas as pesquisas de opinião é a estratificação da amostra. Existem fórmulas estatísticas altamente complexas que nos dão segurança e cientificidade do trabalho de coleta de dados. Geralmente, os institutos recebem dados sobre o perfil geográfico da distribuição populacional do IBGE. Este Instituto em particular, que faz os Censos demográficos no Brasil a cada dez anos, fornece os dados mais importantes, que são os “setores censitários”, onde são colhidas as amostras para as pesquisas nacionais por amostragem domiciliar (que é muito menor que o Censo e são chamadas de PNAD).

Quanto ao perfil dos eleitores os dados são fornecidos pelo TSE. A estratificação ocorre pelos seguintes quesitos: sexo, idade, etnia, renda e escolaridade. Além, claro, da região geográfica que o eleitor mora. Alguns institutos, como o DataFolha, incluem religião como quesito. Um erro nessa estratificação distorcerá o resultado. Também a própria elaboração do questionário e suas perguntas são fundamentais e jamais podem induzir a uma resposta.

Quando selecionamos uma amostra, por mais correta que ela esteja, muitos fatores podem interferir nos seus resultados, em especial quando o próprio entrevistador, que seleciona as cotas de entrevistas com base na amostra, ele próprio acaba escolhendo pessoas, ainda que dentro de suas cotas. Por isso, existem as checagens de dados pelas supervisões. Pelo menos 20% de todas as entrevistas são confirmadas e, havendo qualquer suspeita, todos os questionários de determinado pesquisador/entrevistador são retirados da coleta e não são levadas em conta na tabulação.

Temos os conceitos de margem de erro e intervalo de confiança. Margem de erro diz respeito a quanto que os resultados podem estar próximos do todo, no caso de eleições, da opinião dos conjunto dos eleitores. No entanto, intervalo de confiança, diz respeito à percentagem de todas as amostras que possam cair exatamente dentro da margem de erro.

Aqui, há uma relação direta entre margem e intervalo de confiança. Quanto maior a amostra, menor será a margem de erro e maior o intervalo de confiança de uma pesquisa verdadeiramente científica. Aqui uma observação muito importante. Alguns Institutos de pesquisa acabam por se especializar em pesquisas feitas exclusivamente por telefone, ou seja, seus profissionais não saem à campo para realizar as entrevistas e colhem os dados exclusivamente por telefone (o que, claro, é bem mais barato). Ainda que possa existir um esforço de tentar estratificar as pessoas e os domicílios que tenham telefone no país, há um impeditivo claro nesse tipo de pesquisa, pelo simples fato que de 10% a 15% dos lares no país ainda não possuem telefones fixos que são exatamente a faixa de população mais pobre. Isso distorce os resultado. Dá-se o nome de tracking a esse tipo de consulta, meramente ilustrativa, mas que não se deve confiar por não ter uma amostra realmente perfeita da realidade nacional dos eleitores brasileiros. Serve como, digamos, uma referência apenas.

Por fim, neste tópico de metodologia, quero mencionar os dois tipos de coleta de opiniões pelos questionários sobre como elas são feitas. Existem duas formas. A melhor – eu prefiro pelo menos – é a da coleta por domicílio, nos bairros, quando são sorteados os clusters (grupos) de quarteirões nos bairros dos adensamentos populacionais, pelas cidades (inclusive pelas suas dimensões). Sorteados os quarteirões, sorteiam-se as ruas a serem pesquisas e, nelas, os domicílios. Ainda neles, nem sempre é a primeira pessoa que atende a porta que responde a entrevista, mas pessoas que estejam dentro da cota da base amostral definida. É muito complexo, mas tem muita ciência nisso.

O segundo tipo de coleta de campo é bem mais simples e mais fácil de ser feita. Nem por isso, menos científica. É, por certo, menos custosa. Trata-se de colocar em campo os pesquisadores de determinado Instituto para realizar suas entrevistas. Eles saem já com as cotas definidas cada um deles. Por exemplo. Uma pesquisadora precisa entrevistar 10 mulheres que tenham, na cidade onde essa pesquisadora trabalha, acima de 50 anos, nível superior, branca e renda entre cinco e sete salários. Só um exemplo. Essa pesquisadora fica parada em meio a uma calçada de grande fluxo de pessoas. Ela só presta atenção às mulheres, digamos, cinquentonas. Não tem olhar para mais ninguém. Aí, ela para a pessoa, se apresenta de tal instituto (mostra o seu crachá de identidade) e pede autorização para fazer uma pesquisa. Geralmente ela menciona o tempo estimado, para ter a concordância dos entrevistados (geralmente 20 minutos). Definida que a entrevistada é mulher, branca e cinquentona, resta à entrevistadora confirmar outros dados que lhes falta para saber se a pessoa está na sua cota amostral (renda, escolaridade, religião etc.). Se não preencher as exigências da cota, a entrevistadora agradece e encerra a entrevista. Se prosseguir, será fraude e facilmente detectável.

Eu, que sou fã e defensor ardoroso de pesquisas, sou “louco’ para ser entrevistado. Aprendo muito com isso. Até dou palpites sobre erros de formulação do questionário. Ao longo da minha vida fiz muitas pesquisas. Assim, ao ver entrevistadores em campo nas calçadas, com seus crachás de identificação, eu até meio que me jogo para ser entrevistado, me insinuo, fica quase na frente deles. Mas, muitas vezes nem me dão bola, pelo simples fato que estou fora da cota amostral dos entrevistadores. Bem, espero que todos tenham entendido até aqui, onde procurei justificar a origem das pesquisas, sua fundamentação teórica e a sua cientificidade.

Alguns conceitos importantes

Como são tantas as pesquisas sendo feitas e tantos os comentaristas que as analisam, que boa parte de nós virou analista de pesquisa. Todo mundo acha que entende de pesquisa. Viraram todos sociólogos. Uns falam muita bobagem, como tenha visto. Outros até fazem esforços para tecer bons comentários. Mas, existem muitas dúvidas. Quero aproveitar este artigo para falar sobre alguns elementos importantes e mesmo fundamentais para analisarmos pesquisas.

Intenção de voto espontâneo e estimulado – A primeira pergunta que um entrevistador faz a um entrevistado é: “O senhor (ou senhora) já tem candidato à presidente da República? Se sim, quem é?” Aqui mede-se o grau de decisão do eleitorado sobre um dos 13 candidatos. Neste caso, o brancos, nulos e “não sei” são elevados, até porque uma parte do eleitorado ainda não se definiu e muitas vezes nem sabe quem são os candidatos. Logo em seguida, o entrevistador entrega uma tabela aos entrevistados, geralmente um círculo (para não induzir a nenhum nome), com o nome dos 13 candidatos e pede para ele escolher um desses. Aqui é a fase do “estímulo’, ou seja, o entrevistador informa os nomes dos candidatos. Aqui, eleva-se os percentuais de todos os candidatos normalmente. Como especialista em pesquisas, é a primeira coisa que “leio’ nos resultados, ou seja, quanto cresce entre a intenção de voto espontânea – bem decidida – para a estimulada. Alguns candidatos crescem pouco e isso é mau sinal, ou seja, tem pouco mais a crescer. Exemplo: um candidato tem 10% na espontânea e pula para 13% na estimulada. Esse tem pouco de crescimento, diferente de alguém que pode ter os mesmos 10% e salta para 23%, por exemplo. Isso tem a ver com o conceito seguinte;

Rejeição e teto de votos – Um segundo bloco de pergunta diz respeito à um questionamento sobre algum nome que o eleitor/a jamais votaría. Essas respostas podem ser múltiplas e ordenadas, com gradações. Ela geralmente é formulada da seguinte forma: “Em qual ou quais desses candidatos o senhor (ou senhora) jamais votaría nas eleições presidenciais?”. Aqui mede-se, portanto, o quanto cada candidato é rejeitado. No caso específico do atual processo, todas as pesquisas têm sido unânimes de mostrar o candidato da extrema direita, de nome impronunciável, com a maior rejeição jamais vista em todas as nossas oito eleições pós redemocratização do país em 1985. E pior ainda: no segmentos “mulheres”, sua rejeição chega a patamares estratosféricos. Aí sempre me indago: como um candidato fascista pode vencer sendo rejeitado por mais de 80% das mulheres, em um eleitorado onde elas são quase sete milhões de votos a mais que os homens?(6) Nesse sentido, arrisco um palpite: os atos convocados pelas mulheres contra O Coiso (recuso-me a pronunciar o seu nome) para o dia 29 de setembro, sábado, reunirão milhares, dezenas e talvez até centenas de milhares de mulheres e seus parceiros (LGBT, negros, pobres, excluídos, homens conscientes e antifascistas). Haja praça para abrigar tanta gente. Assim, usamos o conceito de “teto” exatamente para dizer que um candidato com esse perfil pode até atingir 30%, mas estaría chegando ao seu teto de votos. Isso vale para o segundo turno, ou seja, seu crescimento sería pequeno ou até nulo, tamanha a sua rejeição (7);

Piso de votos – É bom também entendermos esse significado, na medida que muitos analistas e estudiosos de pesquisas, sociólogos e comentaristas de TV usam esse termo. Qual o seu real significado? Um terceiro bloco de perguntas que se faz aos e ás entrevistadas é a seguinte, após a pessoa indicar de forma estimulada, qual sería seu candidato: “O senhor (ou a senhora) podería mudar o seu voto até 7 de outubro?” Essa pergunta mede o grau de firmeza, decisão sobre o voto. Exemplo. Um candidato tem 10% de intenção de voto, mas 3% desses seus possíveis eleitores dizem que poderiam mudar seu voto. Nesse caso, dizemos que o seu “piso” é de 7%. No caso destas eleições, o inominável, de fato, em especial depois da facada (onde ele está confinado e sem fazer campanha e sem abrir a boca, apesar do seu vice que anda solto e seu economista chefe falando aos borbotões), ele conseguiu ampliar seu piso e mesmo o seu teto.

Comentários finais

Aqui deixo a condição de professor de pesquisa e passo à de professor de Sociologia e sociólogo. Quero tecer alguns comentários bastante sucintos, sobre o conjunto de pesquisas que tenho visto nos últimos dias, em especial dos Institutos Vox Populi, MDA, Ibope e DataFolha, que tem dado números parecidos e ao mesmo tempo discrepantes.

Muito ainda ocorrerá em termos de mudanças. Com o veto total à candidatura de Lula aplicado pelos golpistas, vê-se neste momento um movimento consistente de transferência de votos do líder para Fernando Haddad, que o substituiu. À honrosa exceção do Instituto Vox Populi, que apresenta o nome de Haddad como “candidato do PT apoiado por Lula, todos os outros ainda não fazem isso. Alguns sequer colocam o parênteses com o nome do seu Partido (lembrando que o PT é o partido preferido já de 29% dos eleitores, seguido à distância pelo PSDB com meros 4%). Isso faz com que em todos os demais institutos, Haddad ainda figure em segundo lugar. De qualquer forma, a tendência é clara e a “boca do jacaré” está já se abrindo (em uma alusão à ultrapassagem da curva do inominável, que deverá ser decrescente e do próprio Haddad, que já crescente de forma exponencial).

Sigo com algumas convicções e as compartilho com meus e minhas leitoras:

1. Acho muito improvável que Fernando Haddad não vá ao segundo turno com o candidato do fascismo. Acho que tem, inclusive, condições de passar em primeiro lugar;

2. Acho quase impossível que o candidato da direita – que a mídia chama de “candidato de centro” (sic) Geraldo Alckmin consiga tirar o inominável do segundo turno (ele tería que saltar de 7% para 28%, ou seja, quadruplicar o seu desempenho);

3. Vejo como praticamente cristalizado um segundo turno entre Haddad e o inominável. Mas, prefiro dizer que a polarização será entre “democracia e ditadura” ou “fascismo aberto e descarado” (aliás, o que vimos desde 1989 sempre foi de um lado o petismo de Lula e aliados de um projeto nacional e desenvolvimentista e de outro as forças da direita, do atraso, da subordinação ao capital internacional e aos EUA);

4. Nas últimas horas/dias, percebo um movimento midiático de insuflar – artificialmente, claro – a candidatura Ciro Gomes (PDT) para que ele tente desbancar Haddad do segundo turno. Usam para isso manchetes absurdas de um abstrato segundo turno (“Ciro segue líder no 2º turno”);

5. Por fim, não estou entre os analistas de pesquisa que acreditam em possível vitória de quem quer que seja, esquerda ou direita, já neste primeiro turno. Resta-nos por mais de 15 dias de campanha. A esquerda, os democratas, patriotas e progressistas em geral têm muitas vantagens e por isso vejo que Haddad tem muita margem para crescer e de onde tirar mais votos (dos indecisos, bancos, nulos e mesmo de vários candidatos que vêm desidratando, a que chamamos de “estoque de votos”). Temos um trunfo inigualável, que é Lula ao nosso lado, além de uma militância insuperável. Mas, temos mais que isso: temos o melhor programa para o Brasil e o melhor candidato, o mais preparado, com todos os atributos para fazer o Brasil avançar. Por isso, temos tudo para vencer. Mas, não nos esmoreçamos. A luta será árdua, encarniçada. Renhida. Mas, venceremos pela quinta vez.

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*Sociólogo, Professor, Escritor e Analista Internacional. Foi professor de Sociologia e Métodos e Técnicas de Pesquisa da UNIMEP e presidente da Federação Nacional dos Sociólogos – Brasil. É colaborador dos portais Vermelho, Grabois, Duplo Expresso e Resistência, bem como da revista Sociologia da Editora Escala. Tem nove livros publicados de Sociologia e Política Internacional. (2) Revista Impulso, da UNIMEP, ano 4, nº 7, 1º semestre de 1990, artigo intitulado “O primeiro turno das eleições presidenciais e as pesquisas de opinião pública”, páginas 57 a 67. (3) Maiores informações podem ser obtidas em https://pt.wikipedia.org/wiki/Blaise_Pascal página a que tivemos acesso em 20 de setembro de 2018, às 16h02. (4) Maiores informações podem ser obtidas em https://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_de_Fermat página a que tivemos acesso em 20 de setembro de 2018, às 16h04. (5) Para maiores informações sobre o Gallup estadunidense visite a página https://en.wikipedia.org/wiki/Gallup_(company) que tivemos acesso em 20 de setembro de 2018 às 16h21. (6) As mulheres são hoje 77.076.395 de eleitoras, ou 52,32%, enquanto os homens são 70.302.962 ou 47,67%, portanto 6.850.433 a mais. (7) Nas eleições de 2006, onde Lula foi reeleito no segundo turno, ele disputou com Geraldo Alckmin, o mesmo que agora amarga 7% das intenções de votos (estimulada). Ele obteve contra Lula no primeiro turno 41,64% dos votos válidos e no segundo caiu para 39,17%, diminuindo em 2,47%, ou seja, Lula cresceu de 46,91% para 60,83%, ou seja, abriu 21,66% de vantagem sobre o tucano hoje agonizante.

Prognósticos sobre as eleições de 2018

Lejeune Mirhan*

Esta não será a primeira vez e espero que não seja a última, em que escreverei comentários sobre as próximas eleições antes, claro, que elas ocorram (comentar depois quase que não tem graça). Por isso o uso do termo “prognósticos”, e não previsões. Aqui apontarei tendências, possibilidades, cenários. Há muito de intuição, mas de análise com base em fatos, dados e pesquisas. O que farei aqui é tudo, menos previsões. Entendam dessa forma.

O cenário em que as eleições ocorrem

Diferente de todas as quatro eleições corridas onde houve a vitória do povo (2002, 2006, 2010 e 2014), estas ocorrerão em uma situação do país em um estado de exceção, de golpe de estado parlamentar onde uma presidente legitima foi derrubada em 2016 e que o melhor presidente de nossa história e maior líder popular do país (desde Prestes e Getúlio) encontra-se na condição de preso político do sistema e do imperialismo.

Governa o país uma quadrilha de bandidos. Alguns dos ministro do Temeroso já foram presos. Outros na iminência de virem a ser. Ele próprio, usurpador e golpista principal – em aliança com os tucanos FHC, Aécio e Alckmin – assim que deixar o governo poderá também ser encarcerado. O parlamento tem praticamente 80% de seus deputados vinculados ao campo da direita, do latifúndio, aos fundamentalistas evangélicos (que, de cristãos, não têm nada), do agronegócio, de empresários da elite do atraso.

As eleições irão ocorrer em completa anormalidade institucional. Vivemos um estado de exceção. O poder judiciário partidarizou-se como um todo, de forma que juízes militam pela causa antipetista e pró-Estados Unidos de forma descarada. E com total apoio do chamado Ministério Público. Nunca o poder midiático esteve tão escancaradamente a favor de um golpe como nestes tempos. Nenhuma das TVs tem programação, em especial jornalística, equilibrada (e olha que não precisaria ser neutra). Todas, sem exceção, dedicam várias horas diárias para bater na tecla de que Lula e seu Partido são os chefes de uma gangue que assaltou os cofres públicos. Sem jamais ter oferecido uma só prova sobre isso.

Teremos eleições em 7 de outubro vivendo em um país que – além de já termos sidos a sexta economia mundial e respeitados em todos os fóruns internacionais – é visto hoje como um pária internacional, uma escória de nação subdesenvolvida, com um povo famélico e uma elite vendida aos Estados Unidos, boa parte dela residente em Miami. Entregaram nosso passaporte para o futuro, que era o pré-sal – a maior reserva petrolífera marinha do mundo – às petroleiras estadunidenses entre outras. A privatização de todo o nosso sistema elétrico está em andamento. Entregaram a maior fabricante de aviões médios e regionais do mundo, que é a Embraer para a gigante Boeing.

O grande sonho de consumo da burguesia brasileira – que nem FHC consegui realizar em seus malfadados oito anos de desgovernos (1995-2002) – de destruir, de revogar, de rasgar a CLT foi conquistado com apoio de um Congresso vendido (literalmente). Precarizam a previdência pública a cada dia. Congelaram desde o ano passado, todos os investimentos em saúde, educação e segurança pública por absurdos 20 anos.

Nesse sentido, as dezenas de pré-candidaturas vão sendo afuniladas nestes últimos dias em que se esgotam os prazos legais de registros das candidaturas dos partidos e suas coligações. Vai ocorrendo, de forma até natural, uma drástica diminuição dos nomes dispostos a seguir até o dia das eleições. A instabilidade decorre, especialmente, pelo fato de que o líder absoluto em todas as pesquisas – Lula da Silva – encontra-se preso e pairam dúvidas jurídicas de que seu nome e sua foto aparecerão na urna eletrônica.

Assim, quero fazer as análises dos cenários possíveis, das campanhas e das candidaturas. A seguir essas opiniões para o debate.

O campo da extrema direta e do fascismo – Aqui temos a candidatura representada pelo capitão reformado e fascista que atende pelo nome de Jair Bolsonaro. Muitas pessoas – eu incluso – ficam estupefatos com a consistência que tem tido até aqui do seu eleitorado e da sua intenção de voto na casa dos 15%. A direita – que a mídia insiste em chamar de “Centrão” (sic) – inventou esse fascista. Um outsider absolutamente sem nenhum conteúdo, um analfabeto político que não sabe nada de nada, um misógino e homofóbico raivoso, tem, na verdade, um eleitorado cativo. Brancos, altamente escolarizados e de alta renda, com uma juventude que vem sendo chamada de “dourada”, também elitizada. Ele cresceu porque roubou votos do eleitorado tucano fascista e direitista do PSDB. Alckmin não decola em função disso. Acho muito difícil ele sustentar seus índices eleitorais atuais. Acho que seus índices são teto eleitorais. Não passará disso e começará a cair. Deve esvaziar. Ademais, terá no máximo oito segundos na TV. Enfrenta dificuldade de arrumar até um vice.

O campo da direita – Já desde a semana passada, o chamado “Centrão” – deveriam chamar de “Direitão” – viveu um pânico generalizado. Baixaram uma ordem unida – vindo diretamente da Globo – para que todos se unificassem em torno do velho Picolé de Chuchu, envolvido até o pescoço em corrupções e maracutaia nos 24 anos de desgovernos da tucanalha paulista. Temer mandou sua base de apoio inteira apoiá-lo. Aliás, o governo em desagregação do Temeroso tem 29 ministros, dos quais 14 são de partidos da base aliada. O PMDB tem cinco; o PP tem três; e todos os outros têm um (PSDB, PSD, PRB, PTB, PR e Podemos). Todos esses, à exceção ainda do PODEMOS de Álvaro Dias, fecharam com Alckmin. Ou seja: ficará difícil ele se apresentar como candidato que não seja do governo Temer. Como disse a Manuela, pré-candidata do PCdoB, “Alckmin é Temer e Temer é Alckmin”. Mas e Meirelles? Minha intuição é de que vai retirar também. E só não o fará também para dar argumento ao próprio Alckmin dizer “o candidato do Temer não sou eu... é o Meirelles. Só rindo mesmo. Eles acham que o povo é burro e vai acreditar nisso. Aqui registro a opinião – que é de vários analistas – no sentido de que se o Picolé de Chuchu quiser mesmo crescer, terá que bater, em um primeiro momento, em Bolsonaro, ou seja, tentar recuperar os votos perdidos pela tucanalha para o campo dos fascistas. Não posso deixar de registrar sobre a candidatura de Marina Silva, da tal REDE. Os seus índices relativos de pesquisa serão desidratados. Eles ainda refletem duas eleições consecutivas e muita exposição patrocinada pela mídia golpista. Mas, tal qual Bolsonaro, está isolada e com oito segundos na TV. Vai representar um fiasco.

A candidatura Lula – Não há pesquisa que não registre, desde que Lula saiu da presidência em janeiro de 2011, que ele foi o melhor presidente da história. Não houve no Brasil um político que teve a sua vida tão devastada e devassada como Lula. Extensiva a toda a sua família. Da dona Marisa, que eles mataram, aos seus filhos. Quebraram todos os seus sigilos bancários, telefônicos, fiscais. Vasculharam todos os cartórios do país para ver se ele e sua família não teríam propriedades registradas. Com apoio do imperialismo e seus órgãos de repressão internacional, vasculharam em todos os paraísos fiscais para verificar se ele escondia os tais milhões de dólares. Jamais apareceu qualquer coisa. Uma continha sequer. Uns trocados. À exceção de um barco de lata e dois pedalinhos, Lula mora no mesmo apartamento em SBC onde está há 20 anos. Grampearam suas ligações com seus advogados e até com a presidenta da República. As centenas de planilhas de corrupção, subornos e propinas de todas as empreiteiras em nenhum momento aparece o seu nome. Que fazer então? Montou-se uma farsa jurídica encabeçada pelo agente do imperialismo e de seus órgãos de segurança, que se apresenta como juiz (sic) Sérgio Moro da dita República de Curitiba, tão endeusada pelos fascistas como modelo de democracia. O “processo” inquisitorial montado contra Lula só tem delações e cujos delatores tiveram reduções drásticas de suas penas (uns caíram de cem anos de prisão para um ano e ainda assim domiciliar; tiveram milhões de dólares devolvidos e legalizados que vieram do exterior... bandidos e corruptos confessos que viraram heróis da classe média e da mídia golpista). Esse “processo” o condenou a nove anos de prisão, amplificado para 12 anos pelos “juízes” do TRF-4 de Porto Alegre. Não é que não tenha provas contra ele no “processo”. Não há um crime sequer tipificado e com base no nosso ordenamento jurídico constitucional. E quem diz isso são pelo menos 120 juristas em um livro recém publicado onde eles demolem a tal famigerada “sentença” do juiz tucano. As próximas pesquisas de opinião vão elevar a candidatura Lula a um patamar de mais de 40%. Se excluirmos brancos, nulos e abstenção, isso vai significar mais de 50% dos válidos ou mesmo 55%. Não tem para mais ninguém. Isso desestabiliza o cenário. Impõe instabilidade. Como decidir sobre eleições sem levar em consideração esse fato, ou seja, o fenômeno chamado Lula? Por isso a unificação da direita (resta saber se Álvaro Dias e Henrique Meirelles resistirão mesmo e se unificarão com o Picolé). Aqui, cabe a mim, como alguém de fora das fileiras do Partido do Trabalhadores, elogiar a postura de firmeza mantida até o momento pela direção, de assegurar que Lula será registrado e será candidato mesmo preso. Não será o primeiro na história mundial e nem o último. Não será o primeiro condenado injustamente que voltará a conduzir o seu povo. Discutir neste momento, inclusive, o tal “Plano B” é prestar um desserviço ao próprio Lula, ao PT e ao povo que o apoia.

O caso Ciro Gomes – Filiado recentemente ao PDT, mas já tendo passado por quase dez partidos diferentes, Ciro Gomes tem perfil e discurso nacionalista. Tem origem no campo da direita, mas migrou com toda a família Gomes, para o centro e mesmo para a centro-esquerda. No entanto, errou brutalmente seu cálculo eleitoral. Apostou que, como a prisão de Lula, ele herdaria todos os votos do lulismo e do petismo e mesmo da esquerda, onde, parte dela, encantou-se de fato com sua candidatura. Isso o afastou do PT e de outros partidos mais à esquerda, como o PCdoB, em que pesem sinais deles aos comunistas propondo coligação. Mas, Ciro optou em flertar com a direita, que a mídia chama de “Centrão”. Chegou a pedir ao fascistinha que é prefeito de Salvador, ACM Neto, uma lista nominal de todos os membros do famigerado DEM que ele tenha ofendido para que ele pudesse ligar e pedir perdão. Apresentou-se como um candidato do mercado, neoliberal, com um ou outro viés nacionalista. Ou seja, fez uma guinada ao centro e à direita, já que a estratégia de “herdar” votos do lulismo não vinha dando certo. Perdeu. Não decolou e não vai decolar. Vai ser esvaziado. Terá pouco tempo de TV e não fechará nenhuma coligação mais ampla. Talvez por já ter cruzado o Rubicão (em alusão ao cruzamento de rio famoso na Itália por Júlio César em 49 aC detonando uma guerra civil), acho muito difícil Ciro e seu PDT coligarem com Lula e o PT, aceitando a vice-presidência. Será muito difícil ir ao segundo turno. Aqui o registro também dos que apostaram no fim do chamado lulismo e quebraram a cara.

Manuela e o PCdoB – O Partido – mais antigo da história do Brasil com quase cem anos de existência – vem acertando na sua tática desde o seu 14º Congresso Nacional de novembro de 2017, quando lançou a pré-candidatura da jovem Manuela D’Ávila à presidência da República. Isso jamais significou em tempo algum o rompimento com o Partido dos Trabalhadores com quem é aliado e coligado desde 1988 (com Erundina na prefeitura de SP). Manuela vem cumprindo com elevada maestria a tarefa que lhe foi designada, qual seja, difundir o mais amplamente, as propostas do Partido para o Brasil. Fala, com a maior amplitude, sobre o socialismo que o Partido defende. Saltou de 1% para até 3% nas pesquisas em pouco tempo de atividades e com baixa exposição na mídia. Ela domina bem a linguagem das redes sociais. Sua formação marxista sólida permite com que ela venha sendo admirada e elogiada amplamente por muitos setores da sociedade, artistas, intelectuais, professores universitários, escritores, juristas, religiosos. O PCdoB chamou, no seu Congresso, à construção de uma Frente Ampla. Muito mais ampla dos que as conhecidas experiências do CNA (África do Sul), OLP (Palestina) e Frente Ampla (Uruguai). Sempre soubemos que a esquerda sozinha não vence eleições. Mas, a vida impôs nova tática. O Comitê Central do Partido, reunido em SP entre os dias 20 e 22 de julho, aprovou por unanimidade, um chamamento à unidade do campo da esquerda. Nominou os partidos de forma clara: PT, PDT, PSB e PSOL. À exceção deste último – que acho que não vai atender ao apelo – todos os outros podem e devem sentar à mesa para negociar a unidade. E não há dúvidas que deve ser em torno de Lula ou de quem – no limite – ele venha ter que indicar se a justiça insistir em seguir rasgando a Constituição e impedir a sua candidatura. É preciso sentar à mesa. Negociar a vice-presidência. Proceder acordos políticos e eleitorais em estados chaves, em especial como SP, PE e RS. E nesse sentido, não tem como não registrar que o Partido terá ainda uma papel mais decisivo e estratégico neste jogo se sinalizar ou for o primeiro mesmo a fechar com Lula. Isso deixará Ciro ainda mais isolado e poderá ter o papel de forte atração para o PSB coligar-se. Esse cenário, se concretizado, sería vitória indubitável no primeiro turno, ainda que saibamos da resistência em todos esses partidos, para essa construção. Hoje, restou-nos apenas e tão somente a Frente de Esquerda, o mais ampla possível, progressista, patriótica, popular. Nosso problema com a unidade não tem a ver com o programa para o país. Este está bem construído e unificado. A própria Frente Brasil Popular tem um programa amplamente debatido no país bastante avançado e chancelado pelo PT e pelo PCdoB, além da CUT, CTB, Marcha Mundial de Mulheres, UBM, UNEGRO, CMP, CONAM, UNE, UJS, movimentos LGBT, pastorais católicas etc.

Dilemas do PSB – Este Partido tem trajetória errante. É o segundo mais antigo do país, da década de 1940, vem de tradições socialdemocrata, que se apresenta como “socialista”. Até nas primeiras eleições presidenciais desde 1989, ainda quando presidido pelo velho e combativo companheiro Miguel Arraes, governador cassado de PE pela ditadura de 1964 e que voltou a governá-lo duas vezes depois da redemocratização, o PSB integrava, sem dúvida alguma, o campo da esquerda e centro esquerda. No entanto, depois que Eduardo Campos afastou-se de Lula e do PT para carreira solo, foi gradativamente assumindo um discurso direitista ou de centro-direita. Com sua morte, a também direitista Marina Silva foi a opção de dividir a esquerda ainda no primeiro turno (apoiou depois no segundo turno, descaradamente o corrupto Aécio Neves, um dos maiores articuladores do golpe contra Dilma). Hoje o PSB pode ter quatro caminhos distintos. O primeiro, é lançar um ou uma candidata laranja, só para fazer figuração. Uma segunda opção é ficar completamente neutro, de forma que suas seções estaduais fiquem à vontade para coligarem-se com quem quiserem. Há uma hipótese – acho pequena – de coligação com Ciro e por fim, uma quarta alternativa – a melhor de meu ponto de vista – que sería coligar-se com Lula e o PT. Claro que isso podería demandar arranjos regionais, em especial em demonstração de desprendimento por parte do PT em Pernambuco.

Considerações finais

Como já disse, estas serão as mais indefinidas e imprevisíveis eleições desde 1989. Simplesmente porque o líder inconteste e isolado nas pesquisas, que é o Lula, encontra-se preso e pesam sobre sua candidatura dúvidas jurídicas sobre sua viabilidade. Mas, algumas conclusões e prognósticos posso fazer. São eles.

1. Abstenções, votos nulos e brancos vão crescer – Venho chamando esse índice de ABN (abstenções, nulos e brancos). Ele vinha caindo desde 1998 há vinte anos, quando atingiu 37,16% (são os chamados votos desperdiçados, perdidos, jogados fora pelo eleitorado), para 27,5% em 2016. Mesmo se Lula conseguir se viabilizar juridicamente, minha previsão é que o índice ABN deve voltar a crescer, ultrapassando novamente os 30% do total do eleitorado registrado. Se Lula não puder ser registrado e ter que indicar outro em seu lugar, estou seguro que poderemos ter até 40% ou ainda mais de ABN. Rigorosamente, para a esquerda nas eleições proporcionais isso não será ruim de todo, na medida que seus votos são mais firmes e decididos e índice ABN alto significará menor quociente eleitoral e menor linha de corte na votação nominal dos eleitos.

2. A força de Lula – Diversas pesquisas mediram, ao longo do tempo, a força da transferência de votos de Lula. Não só quando ele elegeu e reelegeu Dilma e Haddad na prefeitura de SP, mas na atualidade. O Instituto DataFolha parou de aferir a força do “Candidato indicado pelo Lula” desde fevereiro. Até lá era de 27%. O melhor Instituto de Pesquisas da Atualidade, do sociólogo e amigo Marcos Coimbra, aponta essa força que pode atingir até 32%, aliada com a popularidade do próprio Partido dos Trabalhadores, disparado na frente da preferência do eleitorado brasileiro. Assim, não tenho dúvidas. Se Lula se viabiliza, a chance de vitória já no primeiro turno é imensa. Se ele apoia um ou uma petista, este irá, seguramente, para o segundo turno.

3. A libertação de Lula e sua absolvição – O golpe de 2016 não foi desfechado pelo imperialismo, pela mídia e pelo Partido da Justiça para deixar Lula voltar a presidir o país. Como já se tem visto pelo programa divulgado, o Lula hoje é muito mais à esquerda do que o Lula das eleições anteriores. Compreende muito mais a questão anti-imperialista, soberania nacional, regulamentação da mídia entre outros temas. Mas, acho que a sua libertação e mesmo anulação de toda a farsa jurídica montada para a sua condenação ainda vão perdurar. Será preciso alterarmos a correlação de forças na sociedade para que as coisas mudem. Mandela teve que esperar 26 anos para ser libertado. Não creio, claro, que vá todo esse tempo, mas não tenho ilusão que as injustiças que foram cometidas contra eles sejam reparadas em curto prazo. Tudo pode ocorrer neste processo eleitoral. Até uma hipótese que reputo remota, de dois candidatos direitistas no segundo turno, como o que ocorreu na França, onde um candidato minoritário no eleitorado governa o país. Ou mesmo um candidato de direita e um petista, com a vitória da direita. Ou, no limite, a não ocorrência mesmo de eleições. Tudo pode acontecer. Traidores do povo, com apoio dos jornais impressos da burguesia e suas TVs estão em campo e 24 horas à postos para tramar contra a pátria e a Nação brasileira. Falam em português a língua do império e o que este determina.

Mas, estou esperançoso que, ainda assim, com sabedoria e ampla unidade, venceremos mais essa batalha em uma guerra ainda longa.

*Sociólogo, Professor, Escritor e Analista Internacional. Foi professor de Sociologia e Métodos e Técnicas de Pesquisa da UNIMEP e presidente da Federação Nacional dos Sociólogos – Brasil. É colaborador dos portais Vermelho, Grabois, Duplo Expresso e Resistência, bem como da revista Sociologia da Editora Escala. Tem nove livros publicados de Sociologia e Política Internac